Solitude, Vozes Femininas

por Bruno Araujo

Aconteceu no SESC Santana, durante os dias 3 e 4 de outubro, o Solitude, Vozes Femininas, evento que reuniu quatro artistas femininas do cenário musical internacional contemporâneo para duas noites em São Paulo. O espetáculo caracterizou-se por expor com sucesso as peculariedades de cada uma dessas cantoras, que puderam apresentar o seu repertório repleto de diversas inovações sonoras, tanto na melodia dos instrumentos quanto na voz de cada uma. Na quarta-feira apresentaram-se Wendy McNeill, do Canadá, e Joanna Newsom, dos EUA. Na quinta-feira Niobe, da Alemanha, e Juana Molina, Argentina, mostraram ao público brasileiro suas composições já consagradas em terras estrangeiras.
O local escolhido para as apresentações foi um tiro certeiro. A unidade do SESC inaugurada em 2005 goza de instalações impecáveis. A estrutura técnica do anfiteatro, apesar de apresentar uma capacidade limitada de aproximadamente 250 lugares, não deixou a desejar em nenhum momento. Qualidade de som primorosa e iluminação irrefutável. O evento começou pontualmente no horário, além de utilizar-se de ingressos com cadeiras numeradas, prática louvável no que diz respeito a shows. Apesar disso, I.W., 32, diz: “Achei bem estranho trazerem este tipo de evento para o SESC Santana. Diferente né?”
A heterogeneidade dos espectadores era surpreendente. Famílias, casais jovens, velhos, adolescentes, universitários, roqueiros, alternativos, todos se encontrando em uma apresentação que não limitou seu público. As duas noites de ingressos esgotados demonstram o impact destas quatro artistas que, apesar de não participarem da grande indústria musical, cativam com suas novas abordagems sonoras e a qualidade de suas músicas.

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Ys de Joanna Newsom: épico

As apresentações

O destaque do primeiro dia foi a garota-prodígio Joanna Newsom. Munida de uma harpa maior que seu próprio corpo, Joanna apresentou canções que carregavam toda uma influência do folk, trabalhadas com o toque bem específico da artista. As letras fabulosas e sua distinta voz, aliadas ao poder melódico de sua harpa, comoveram os espectadores durante a apresentação de aproximadamente 1h30. I.W. ressalta o poder vocal de Joanna como sua maior qualidade: “O jeito dela cantar é muito atípico. Está acima da inserção da harpa, bem acima.”


Monkey & Bear, segunda faixa do álbum Ys de Joanna Newsom

A apresentação de quinta-feira manteve o padrão de qualidade da noite anterior. Inicinando o espetáculo, Niobe subiu ao palco e rapidamente se dirigiu à sua invocada mesa de som. Alemã, a artista produz e canta suas músicas, compostas por diversas camadas de efeitos, batidas, filtros de voz e samples. A sonoridade de Niobe se assemelha a um eletrônico experimental que, não obstante às súbitas transformações que suas músicas sofrem, mudando os rumos da mesma, e às constantes manipulações de som e mixagens ao vivo, aborda conceitos pouco comuns no grande cenário musical mas não tão inéditos aos mais conhecidos do assunto.

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Juana Molina

Juana Molina, a segunda atração da noite, subiu ao palco após um ligeiro intervalo de dez minutos. Durante esta pausa os espectadores tiveram tempo de comprar um café, uma cerveja ou até um copo d’água, na lanchonete, à frente do anfiteatro. Juana foi recebida com uma salva de palmas e apresentou um bom humor contagiante. Após duas músicas, a artista proferiu: “Estou meio nervosa. Os brasileiros são tão musicais que parecem estar sempre criticando.” Um fã na platéia tentou acalmá-la: “Calma, relaxa, te adoro!” Sua apresentação utilizou-se de uma abordagem um pouco mais tradicional mas não menos interessante. Através de seu violão e uma aparelhagem composta por dois teclados ligados a repetidores e sintetizadores, Juana grava o que tocou e coloca o trecho em repetição. A partir disso as músicas vão crescendo, sobrepondo diversos riffs uns aos outros. O controle de todos os instrumentos é feito através de pedais. Essa parafernalha sendo controlada por Juana leva à comparação dela à “banda de uma pessoa só”. Sua voz é suave, quase sussurrada, mas em certos momentos utiliza-a para criar ritmos, frases ininteligíveis e barulhos diversos. Seu despojamento e a disposição em encantar a platéia encontraram o ápice na frase da argentina ao encerrar uma de suas canções: “Brigadinha!” V.S., 19, celebra a realização de um sonho: “Tinha este desejo absurdo de ver a Joanna e a Juana e, em dois dias seguidos, consegui realizar ambos! Quase não consigo acreditar.” Ela completa: “Esta abordagem mais tradicional ao folk não diminui nem um pouco o grande trabalho de Juana.” Molina nasceu em meio à um período conturbado na Argentina e ainda jovem foi levada à Paris. Lá teve contato com a música e com o teatro.

 


Juana Molina – ¿Quién?

Solitude, Vozes Femininas, pode ser considerado um evento de grande sucesso, tanto comercialmente quanto culturalmente. A grande jogada foi a apresentação de artistas mulheres que brincam com suas respectivas vozes de uma forma muito bem bolada. Seja através de loops, distorções, simulação de efeitos, ecos, os dois espetáculos foram de um bom gosto absurdo. A única ressalva foi o fato de, devido aos inúmeros instrumentos, teclados, laptops, todas as quatro artistas mantiveram uma troca de energia relativamente baixa com a platéia, com exceção de Juana Molina, que, com certeza, era a mais animada de todas. Mesmo assim, Solitude foi muito importante para introduzir no circuito musical nacional algumas vozes que abordam a sonoridade de uma forma diferenciada.

Download dos álbuns de Joanna Newsom

Bem-vindos a São Paulo

Por Manuela Azenha

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A idéia do documentário “Bem-vindo a São Paulo” foi tida no aniversário de 450 anos da cidade e mostra como ela é vista por alguns diretores estrangeiros. Os organizadores da Mostra Internacional de Cinema, Leonardo Cakoff e Renata Almeida, são os produtores do filme e é narrado por Caetano Veloso, compositor da segunda música que melhor retrata São Paulo.

São 17 episódios, cada um de um diretor, que representam partes da maior metrópole do Brasil. Os diretores convidados foram:, Wolfgang Becker , Maria de Medeiros, Hanna Elias, Amos Gitai, Mika Kaurismäki, Jim McBride, Phillip Noyce, Ming-liang Tsai, Andrea Vecchiato, Caetano Veloso, Yoshishige Yoshida, Ash, Mercedes Moncada. Todos participam da 31ª Mostra Internacional de Cinema.

O documentário é uma colagem de momentos que vai desde um ensaio da Vai-vai à entrevista com uma garçonete japonesa da Liberdade, passando por um retrato do Minhocão.Tenta captar as variadas faces da cidade que reúne mais de 11 milhões de pessoas com diferentes culturas, nacionalidades, jeitos e pensamentos.

O Marilyn Manco

Por Caio Zinet 

O cantor norte-americano Marilyn Manson veio ao Brasil para uma série de três apresentações. A primeira (25/09) no Rio de Janeiro na Fundição Progresso, a segunda (26/09) na Via Funchal em São Paulo e a última (27/09) no VMB (Video Music Brasil). O Polêmico roqueiro, no entanto não empolgou, tanto no Rio quanto em São Paulo

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    Os shows de Manson foram curtos, em média 80 minutos, com apenas 13 músicas e cheio de interrupções para o astro trocar de roupa. Os shows (tanto no Rio quanto em São Paulo) chegaram em alguns momentos a empolgar a platéia como quando Manson cantou “Disposable Teens”.O público ia ao delírio quando o roqueiro segurava a genitália, mas quando a platéia finalmente começou a se empolgar o show acabou, ficou um clima geral de frustração.     O ápice da passagem do astro internacional foi no VMB quando ele brigou com um cinegrafista da MTV que tentava filma-lo no camarim. Manson gritou”Fuck off …Fuck off”algo como saia daqui em português.A estrela tinha um acordo com a MTV no qual não permitia filmagem de bastidores, o cinegrafista desconhecia tal acordo.Superado o incidente Manson foi ao palco e cantou “” sem novamente empolgar.A passagem de Marilyn Manson merece apenas um adjetivo: morna..

Descobrindo Clarice Lispector

Por Jaqueline Ogliari

“Ver é a pura loucura do corpo”. Uma das frases de Água Viva abre a grande exposição temporária Clarice Lispector – A hora da estrela, no Museu da Língua Portuguesa, em comemoração de um ano de funcionamento. Apesar de fazer trinta anos de sua morte, Clarice marca sua eterna presença na literatura brasileira. Nasceu na Ucrânia, em 1920, mas é considerada uma das melhores escritoras brasileiras, e lutou por sua cidadania com bravura e sensibilidade. Escreveu obras inesquecíveis, como A paixão segundo G.H., A maçã no escuro e A hora da estrela.

O museu é conhecido pela disposição moderna de seu acervo e pela interatividade que os visitantes podem ter com ele. Ao entrar no ambiente em que está a exposição, deparamo-nos com uma sala escura, com várias imagens da escritora na parede, e atrás frases de seus livros. Olhamos cada uma como se estivéssemos olhando para dentro da própria Clarice – talvez fosse essa mesma a intenção. Depois, há uma outra salinha, com mais frases da escritora grifadas nas paredes brancas, e um colchão disposto no meio também com uma frase. Seguindo a exposição, entramos em outro espaço com quadrados nas paredes tampados com vidro; logo após este há mais um ambiente escuro, mais frases grifadas na parede e um cubículo de espelho ao meio com as cidades pelas quais Clarice passou.

Após conhecer um pouco das obras de Clarice, há um ambiente enorme com várias (muitas mesmo) gavetas envolvendo as paredes. Algumas delas são possíveis de se abrir, e dentro encontramos documentos, livros, fotos, publicações e cartas – tudo sobre a vida da escritora. É bastante agradável abrir uma por uma, olhar as fotos, ler as cartas escritas à máquina ou ao próprio punho de Clarice e mergulhar no seu mundo cheio de mistérios. “Com o perdão da palavra, sou um mistério para mim”, segundo ela própria.

No meio desse espaço cheio de gavetas, há um outro menor com paredes brancas, e uma frase do livro A paixão segundo G.H.. Quando você entra na sala, depois de ler a frase, descobre que há uma barata gigante projetada ao fundo. Ao percorrer a exposição, fazemos descobertas como essas, e muitas vezes nos colocamos no lugar de suas personagens.

Inserir o público no mundo particular de Clarice Lispector não é nada simples. O Museu da Língua Portuguesa cumpre a missão de desvendar os enigmas de sua vida, “a explicação do enigma é a repetição do enigma”. A exposição foi prorrogada até 14 de outubro, para que muitos ainda possam conhecer e desbravar a vida e a obra enriquecedoras de Clarice.

Criatividade excêntrica

Por Priscilla Cavalieri

Manson posa ao lado de seus quadros

Auto-intitulado “Anticristo Superstar”, Marilyn Manson veio ao Brasil para apresentar mais que shows excêntricos, que, diga-se se passagem, estão perdendo cada vez mais o seu poder de chocar. Manson veio também expor a sua coleção de 29 telas que já passaram pelos EUA e Europa. As obras tratam de temas como morte, doença, mutilação, vício e assassinatos famosos – reais ou fictícios.

Poucos sabem, mas desde o início de sua carreira como músico Marilyn Manson tem desenvolvido seus dons para a pintura. Sua criatividade excêntrica resultou em diversas exposições e, em 2006, Manson abriu sua própria galeria em Los Angeles.

O coquetel de abertura da exposição “Fleurs Du Mal”, aconteceu na ultima noite de quinta-feira (27), na Galeria Romero Britto, em São Paulo. O espaço foi cedido pelo próprio artista plástico brasileiro, que raramente disponibiliza sua galeria para outros artistas. Nesse caso foi Brito quem convidou Manson, que é seu amigo, para expor suas aquarelas no local.

Quem vai à galeria prestigiar a mostra, logo percebe o contraste entre as figuras ultracoloridas do artista brasileiro Romero Brito e as aquarelas sombrias de Manson. Pode-se dizer, no entanto, que o então pintor dispensa certo toque de “leveza” -se é que se pode chamar assim- às suas telas de horror ao escolher como material a aquarela.

A mostra está aberta ao público durante as próximas três semanas. Para quem tiver interesse em adquirir as aquarelas do roqueiro, elas estão à venda por preços que variam de US$ 3 mil a US$ 50 mil.

Famigerado José Mojica

por Caroline Campos

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Vocês sabem quem é José Mojica ?? É um cineasta que após um pesadelo em 1963, criou um personagem fictício chamado Josefel Zanatas, mais conhecido como o Zé do Caixão; o pai do terror trash nacional.

Josefel não tem esse apelido a toa, desde pequeno foi rejeitado pelos colegas da escola por ter um pai com uma agência de funerária. Ele vivia muito sozinho mas na escola conheceu uma menina chamada Sara, que não se importava com o fato da funerária , e passaram a conviver juntos, não se desgrudavam por nada. Esta amizade com o passar dos anos transformou-se em um intenso amor. Como todas as histórias de amor, resolveram casar-se, porém aconteceu um incidente: os pais de ambos quando foram viajar para comprar os necessários presentes para a festa sofreram um acidente de avião; não houve sobreviventes.

Após esta tragédia, eles resolveram adiar a data de casamento. Inesperadamente começara a II Guerra Mundial da qual Josefel teve que participar, deixando Sara na cidade pacata que eles moravam. Cartas e cartas foram trocadas, mas depois de um tempo Sara não teve retorno e concluiu que Josefel estava morto e então resolveu levar a vida adiante e aceitou o pedido de casamento do prefeito da cidade.

Josefel sobreviveu à guerra e saudoso voltou para a cidadezinha a procura de Sara, a mulher que tanto almejou durante a guerra e que agora felizmente poderia se casar; porem como senão bastasse o incidente dos pais, Josefel se depara com Sara no colo do prefeito e sem deixar que haja explicações, ele mata os dois.

A partir deste dia, Josefel se torna uma pessoa sem sentimentos, o amor que tinha se foi com Sara, e então ele começa a aterrorizar os vizinhos e ai recebe o apelido de Zé do Caixão. Ele fica obcecado em conhecer uma outra mulher, para que possa eternizar a sua espécie que acredita ser superior, pois ele é o único que faz a justiça, mesmo que para esta seja necessário matar alguém. E assim está até os dias de hoje.

Há mais de 30 anos sem filmar, Zé do Caixão volta à ativa. Para completar sua trilogia iniciada com À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1964) e Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1967). O diretor roda agora A encarnação do Demônio. Já na pré-produção, o longa-metragem causa polêmica. A equipe do Zé do Caixão está convocando pessoas “exóticas” (leia-se ligeiramente assombrosas ou de feições monstruosas) para fazer a figuração do filme.

Nesse último filme, Zé do Caixão segue em sua busca para conceber um filho com a mulher perfeita. O roteiro foi escrito à quatro mãos por Mojica e Dennison Ramalho. A produção é de Paulo Sacramento (Amarelo Manga). Os figurinos são de Alexandre Herchcovitch.

Les Ballet Trockadero

por Bruna Lança

 

Ballet Clássico. O que esta palavra lhe traz à cabeça? Um bando de crianças vestidas de borboletinhas ou grilinhos? Aquela tortura em que você tem que assistir sua irmãzinha todo final de ano? Um bando de magrelas idênticas correndo par lá e pra cá?

 

Então aprecie toda a delicadeza da seguinte foto: (montagem)

 

 

Mas repare bem… Uhmmm. Agora sua reação pode ter variado entre: “Ah, sempre soube que era coisa de veado!” ou (…) “Nossa, como eles conseguem fazer tudo nesses trajes?”

Pois além de conseguir fazer, fazem muito bem! Se a técnica de ficar na ponta dos pés já é difícil para as mulheres, para os homens mais ainda. Como os dez bailarinos fazem questão da sátira, não se depilam propositalmente e encenam justamente a dificuldade de um deles para acompanhar os passos dos demais. O grupo Trockadero é um exemplo de como usar a criatividade em uma dança tão tradicional e lidar de forma divertida com o preconceito que ainda envolve bailarinos de todo o mundo.

VMB 2007

por Marianna Sanfelicio

            O Vídeo Music Brasil, ou VMB, como é mais conhecido pelo público, tem esse ano sua 13ª edição. O show está marcado para quinta-feira 27 de setembro, às 22 horas. O Blog VMB, porém, vai começar sua cobertura exclusiva mais cedo. Léo Madeira e Felipe Solari, VJs da MTV, estão escalados para manter o público informado desde as seis horas, além de promover debates através do site e de outros blogs da emissora. A premiação vai acontecer no Credicard Hall, e vai contar com a apresentação de Daniella Cicarelli. Os ingressos, que custam entre $80 e $500 reais, estão à venda no próprio Credicard Hall. Quem não quer gastar dinheiro, pode tentar a sorte e concorrer a uma das promoções que a MTV lançou. Ganhar os brindes, pares de ingressos para a premiação, depende mais da criatividade dos competidores que de sua sorte propriamente dita.

            Entre as atrações confirmadas para o VMB deste ano estão Sandy e Junior, Pitty, NX Zero, Lobão e o cantor norte – americano Marilyn Manson. Além dessas vai acontecer um show surpresa, que não será uma surpresa tão grande assim: algumas fontes já deixaram escapar que a banda desconhecida é a também norte – americana Julliette and the Licks, que tem como vocalista a atriz Julliette Lewis. O Julliette and the Licks vai voltar ao Brasil em outubro, quando se apresenta no TIM Festival.

                       Cicarelli no VMB 2006

            O troféu do VMB não é oficial, e muda todos os anos. Desta vez, os vencedores levarão para casa um cachorro, amarelo e com manchas, sobre o logo verde da MTV. Diferentes convidados entregarão os prêmios das dez categorias, que são Artista do Ano, Artista Internacional, Revelação, Aposta MTV, Hit do Ano, Melhor Show, Clipe do Ano, Web Hit, Banda dos Sonhos e Clipes que Você Fez. O público pode votar em seus preferidos através do site da MTV. Merece destaque a categoria Web Hit, prestes a ser premiada pela primeira vez. Concorrem cinco vídeos, e todos podem ser encontrados no YouTube: Suplicy canta Racionais, Vai Tomar no Cu, As Árvores somos Nozes, Confissões de um Emo e o Funk da Menina Pastora.

Outra novidade são os prêmios do Aquecimento, veiculados por Marcos Mion em seu novo programa, Descarga MTV. Aqui existem as categorias Gostoso do Ano, Gostosa do Ano e Pança de Mamute. O programa de Mion é satírico, ironiza as edições passadas do VMB. Para quem pretende assistir a premiação, ao vivo ou em casa, vale a pena ver alguns episódios do programa. Apesar do tom debochado, serve para preparar o espectador para o que ele pode esperar do evento de quinta-feira. Se até os VJs estão contando com a sorte e preparando amuletos para a 13ª edição do VMB, e até mesmo sua apresentadora vai usar 13 roupas diferentes durante a atração, temos que ficar preparados para qualquer coisa.

Arte em Vermelho

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por Stefanie Lourenço

      O artista plástico e efeitista Kapel Furman é um dos únicos especialistas em sua área no país. Poucos se dedicam ao entendimento da composição de uma cena violenta no cinema. Sangue e pedaços humanos fazem parte de sua rotina, sendo possível encontrá-los na geladeira de sua casa ou espalhados pela sala.

      Formado em cinema pela FAAP, desenvolveu suas habilidades durante o curso, porém afirma que ele e seu grupo de amigos tinham de se virar sozinhos: “A faculdade não gostava que a gente fizesse filmes de ação”. Sua estréia no gênero foi com o curta-metragem Winner from Hell, no qual teve seu primeiro contato com maquiagem de efeito, como buracos de tiros e sangue.

      Autodidata, afirma que aprendeu na base da tentativa e erro, mas seu conhecimento em artes plásticas, que o acompanha desde a infância, foi crucial para o crescimento na área, pois daí que tirou sua noção de composição de misturas.

      Utiliza materiais alimentícios para que não haja reação alérgica nos atores. O sangue, por exemplo, é feito com glucose, corante alimentício, acidulante e espessante, regulado de acordo com a fotografia. Os mock ups (réplicas de partes humanas) são de silicone e látex.

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      Assim que saiu da faculdade  trabalhou em um bureau gráfico de animação para a internet, quando o Flash (programa para design de sites) era a grande novidade. Realizou pelo programa A Vida de um Quadrado, que foi finalista no Anima Mundi Web 2000. Bambolê, outra animação, porém feita em um flip book e depois passada para o computador, ganhou um prêmio SICAF (Seul International Cartoon Animation Festival).

      Em 2000, quando ainda estava no bureau, foi chamado para participar da equipe do filme Bellini e a Esfinge (dir. Roberto Santucci) sem ter nenhuma experiência além dos curtas da faculdade. No longa-metragem iniciou seus efeitos de tiro com balas de festim utilizando as armas de seu avô, que é competidor de tiro ao alvo.

      Além de Bellini e a Esfinge fez, como maquiador de efeito e armeiro, filmes como Sonhos Tropicais (dir.André Strum), Amarelo Manga (dir. Cláudio Assis), O Cheiro do Ralo (dir. Heitor Dhalia), Journey to the End of the Night (dir. Erick Leason), com a participação do ator Brendan Fraser, Via Láctea (dir. Lina Chamie), Onde Andará Dulce Veiga (dir. Guilherme de Almeida Prado), Olho de Boi (dir. Hermano Pena) e o ainda não finalizado Gainsville Ripper, de John Towsend.

     Trabalhou em aproximadamente 30 curta-metragens, incluindo 4 de sua autoria: 6 tiros 60 ml, Don’t Smoke, Noturno das Almas e Haikai Hotel – Também no Três pedras (dir. Domingos Meira e Paulo Furtado), Sozinho (dir. André ZP), Amor só de Mãe (dir, Dennison Ramalho), além da série de TV Turma do Gueto (Record), da novela Metamorfoses (Record), Haru e Natsu (NHK – canal japonês) e do seriado Carandiru (TV Globo).

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      O único longa-metragem de terror que participou no Brasil, por ser o primeiro longa de terror do país nos últimos 30 anos, foi Encarnação do Demônio, de José Mojica Marins, com previsão de estréia para 2008. O filme é continuação da trilogia composta por À Meia Noite Levarei sua Alma (1964) e  Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver (1967). Encarnação mostra Zé do Caixão recém saído da prisão, onde ficou de1967 a 2008.

      No filme Kapel trabalhou todos os dias, totalizando 18 horas diárias por três meses, devido à presença constante de sangue e efeitos. Utilizou muitos mock ups, em torno de 2.500 litros de sangue, maquiagens de efeito pesadas, prótese das unhas longas do personagem principal, materiais importados que não têm no Brasil e materiais alternativos. “Desenvolvi algumas técnicas com materiais alternativos de artes plásticas, que até então não tinham sido usadas em nenhuma produção nacional”.

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      Logo após a experiência com Mojica, Kapel foi convidado para dar uma aula nas oficinas Querô, em um módulo especial de terror. O projeto consiste em ensinar práticas cinematográficas a crianças da periferia. “A receptividade dos alunos foi muito legal e me deu a chance de passar meu conhecimento a outras pessoas que tenham a mesma vontade”.

Veja mais do trabalho de Kapel Furman em seu site:

http://www.cinemadetrincheira.com.br

Trailler do filme Encarnação do Demônio:

http://www.youtube.com/watch?v=HwFvfrOgsIE

Portfólio de Kapel Furman:

http://www.youtube.com/watch?v=cU1whbcAJ-0

ENCAIXOTADO NO ESQUECIMENTO

por Estevão Bittencourt

Poucos são aqueles que, ao serem perguntados quem é José Mojica Martins, responderiam corretamente. No máximo, dizem que é o Zé do Caixão, seu personagem mais famoso. É daí que surgiu a idéia de André Barcinski e Ivan Finotti para escrever a biografia do homem por trás do personagem, que por mais que não seja conhecido como deve no Brasil, garantiu reconhecimento exteriormente. Maldito – A Vida e o Cinema de José Mojica Marins, o Zé do Caixão (Editora 34; 448 páginas) esmiúça desde o nascimento de um dos mais insólitos cineastas brasileiros.

José Mojica Martins

Logo quando era criança, já mostrava que tinha talento. Após passar a infância lendo gibis, vendo filmes no cinema em que o pai trabalhava, brincando de teatro de bonecos e montando peças com fantasias feitas de papelão e tecido, ganhou aos 12 anos uma câmera V-8 e, a partir daí, não parou mais de fazer cinema. Tornou-se autodidata e chegou até mesmo a montar uma escola de cinema em sua vizinhança. Especializou-se no terror escatológico, ou mais conhecido como terror trash e logo cedo começou a fazer filmes amadores. Foi em sua cidade natal, São Paulo, que criou em 1956 uma escola de atores e em 1964 uma sinagoga no Brás.

O que poucos sabem também é que, durante a ditadura militar, seus filmes foram vítimas de censura política, pois alegavam que traziam uma mensagem política camuflada. Basta ver um de seus filmes corretamente que é possível ver que não há nada político, apenas o mal sendo castigado no final, porém não foi assim que a censura o viu. Chegaram até mesmo a prendê-lo, assim como sua fita O Ritual dos Sádicos que chegou a ficar 20 anos presa.

Além de seus problemas com a censura, o cineasta também passava por problemas econômicos. Num país em que cineastas fizeram sua fortuna com o dinheiro público e ainda conseguem reclamar do governo, José Mojica Martins, sem contar com ajuda oficial, dirigiu mais de trinta longas-metragens. Aliás, a única coisa que o Estado Brasileiro fez por ele foi prejudicá-lo, censurando e mutilando sua obra. Apenas no ano passado, que ganhou R$ 1 milhão do Concurso Público de Apoio a Obras Cinematografias de Baixo orçamento, da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, o que o levará a criar seu filme mais caro.

Não é com o papel de mostrar que seu cinema é maravilhoso que o livro foi feito, mas que tem talento, como pode ser percebido não só nessa área, mas também em muitas outras, como televisão, rádio, literatura, revistas em quadrinhos, teatro e fotonovelas. Porém é possível prever que qualquer tipo de (re)conhecimento no Brasil só terá alguma chance após o lançamento do filme que fechará a trilogia do Zé do Caixão. Isso se não prevalecer seu lado folclórico e suas unhas grandes na cabeça das pessoas.

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