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Aldeotas!!!

por Bruna Lança

    Aldeotas, a peça em cartaz no teatro Tuca desde 15/09 que vai at 25/11 é escrita por Gero Camilo e interpretada por este. O cantor, compositor, ator e poeta cearense estudou na Escola de Arte Dramática da USP.A peça conta a história de dois amigos de infância, Levi e Elias, interpretados por Gero Camilo e Caco Ciocler, que se reencontram em uma cidade chamada Coti das Fuças. O interessante é que o reencontro se passa apenas na memória de um dos amigos.As referências de tempo e espaço são eliminadas pela força poética e memorialista da peça. Através das recordações se tenta resgatar as experiências de vidas tão importantes, mas que acabam esquecidas devido a outras ocupações diárias.As apresentações são feitas no tucarena, com duração de 100 minutos, as sextas e sábados ás 21h e aos domingos ás 19h. Aos sábados a entrada é 50 reais, as sextas e domingos 40 reais; para PUC – SP 10 reais. Gero Camilo

Ocupação da Reitoria!

pela editoria “1″ do Sem Fio

Claro que o Sem Fio é um blog que fala sobre cultura e sociedade. Contudo, ele vem mostrando o seu lado político de forma natural através da nova editoria criada de forma improvisada chamada “1″.

Para continuar esse lado político espontânea, o Sem Fio apoia de forma total e irrestrita a ocupação da reitoria da PUC-SP, ocorrida ontem a noite.

Aqui abaixo, para quem quiser ler, está o manifesto dos estudantes ocupados na reitoria.

MANIFESTO DOS ESTUDANTES OCUPADOS NA REITORIA DA PUC-SP

 

Ocupamos a Reitoria nesta noite como forma de protesto pela maneira com a qual o Redesenho Institucional, demissões e bolsas vem sendo tratadas nesta universidade. O verticalismo burocrático tem mantido toda a comunidade puquiana à margem de um dos mais importantes processos pelo qual essa universidade já passou. Nós, os estudantes, seguidamente pagamos o pato das políticas desastradas da gerontocracia universitária. Basta! Não aceitaremos a intervenção da tropa de choque neste ato político, como é costume dos poderosos da burocracia universitária. Basta! Não ficaremos calados, conforme é a vontade dos de cima. Basta! Democracia se faz de forma direta, sem conselhos de fantoches, sorrisos e bocas. Basta de laboratórios picaretas e mensalidades altas. Realmente, do alto do castelo, a vista é linda.

 

Quem sabe o que é o Redesenho? Estamos aqui para debater com cada estudante, de portas abertas, para construir opiniões e consensos. Sim, a Reitoria da PUC-SP não é mais um claustro, à mando da Santíssima Trindade (Pai, Cúria, Bradesco Santo).

 

O movimento estudantil da PUC não consentirá com tais medidas arbitrárias. Propomos pelo momento:

 

- Só haverá negociação mediante o resultado das assembléias de curso e com a garantia de não haver nenhuma forma de repressão tanto pela Graber quanto pela polícia.

- Anulação do Processo de Redesenho Institucional. Por um processo realmente democrático, construído pela comunidade.

- Pela revogação da atual política de bolsas que impede os primeiranistas de terem acesso à universidade. Queremos bolsas que atendam as reais necessidades dos estudantes e que a abertura deste novo edital se dê mediante à participação dos estudantes.

- Nenhuma demissão de professores e funcionários. Chega de demissões!

- Nenhuma punição aos estudantes ocupados. Choque então, nem pensar.

- Solidariedade as demais ocupações em todo o Brasil. A nossa luta é uma só!

Amanhã acontecerão assembléias por toda a universidade para discutir as demandas especificas de cada curso frente ao processo de Redesenho.

NÃO PASSARÃO”

Para saber mais sobre a ocupação da reitoria, visite o seu blog: ocupapuc.wordpress.com

O pequeno mártir

por Aline Khoury

Rompimento de paradigmas, liberdade criativa e os demais brados entoados pelos artistas pós-modernos têm cada vez mais ultrapassado as fronteiras da inovação até os limites do nonsense – partindo da rebeldia, quebra da tradição ou surrealismo para a polêmica pela simples polêmica. A própria arte propositalmente sem sentido passa a adquirir um: a mera reação de choque. Se você não entende como um pedaço de tela com uma tosca mancha (algo como aquilo que você produzia no pré) pode simbolizar toda a psique neurótica do ser humano capitalista, certamente você seria taxado de insensível ou “intelectualmente raso” pelos apreciadores das abstrações artísticas contemporâneas.

Pois um desses neo-artistas considerou uma verdadeira vanguarda provocar a fome ao vivo. Na bienal de Costa-Rica de Arte em agosto, Guillermo Vargas Habacuc criou uma instalação intitulada “Exposición N° 1″. Ao som do hino sandinista tocado ao contrário, os visitantes se deparavam com uma frase na parede (“eres lo que lees” – és o que lês) cujas letras eram formadas por ração canina. Poucos metros adiante, eram surpreendidos pela seção principal: um cão amarrado à parede por uma corda, definhando de sede e inanição. O animal teria sido capturado nas ruas de Manágua (capital da Nicarágua) especificamente para ser privado de qualquer alimento, ou auxílio veterinário durante aproximadamente dez dias, a fim de que já apresentasse o grau de doença e magreza almejados pelo autor. Apesar dos pedidos de diversos espectadores para que fosse solto e tratado, o cão (batizado de Natividad) permaneceu amarrado até o segundo dia de exposição, quando veio a morrer de fome diante do público.

A aprovação do autor pelos seletores da edição 2008 da Bienal Centroamericana de Honduras foi o estopim para o furor na internet, onde além do linchamento por milhares de blogs em diversos cantos do mundo circula também uma petição para que tal indicação seja revista.

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Em meio à polêmica que já previa causar, Habacuc alega: “O importante para mim era constatar a hipocrisia alheia. Um animal torna-se foco de atenção quando o ponho em um local onde pessoas esperam ver arte, mas não quando está no meio da rua morto de fome”. Concluiu ainda: “O cachorro está mais vivo do que nunca porque segue dando o que falar em muitos países”.

Foi assim que Natividad (nome que remete a nascimento) teve sua sina determinada por um outro nome – o da “Arte”.

 

 

O Haiti é aqui

 

por Bruno Huberman

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Soldado brasileiro em ação no Haiti

“O Rio de Janeiro é pior do que o Haiti”, declarou o Coronel Cunha Mattos, carioca de nascença e que esteve no país caribenho entre dezembro de 2005 e junho de 2006 chefiando o Setor de Comunicação Social da Força de Paz da ONU no Haiti. Ao longo da entrevista na sede da Oboré para o terceiro encontro do atual módulo do Projeto Repórter do Futuro sobre situações de conflito armado, o coronel, que atualmente dirige a Seção de Informações Públicas do Centro de Comunicação Social do Exército, sempre falando na primeira pessoa do plural, mostrou-se bastante disposto a discutir a delicada condição dos morros cariocas.

A situação da capital fluminense é pior do que a haitiana por alguns motivos, segundo Cunha Mattos. A começar pela geografia: as favelas cariocas geralmente estão situadas em morros – o que também é uma grande vantagem tático-militar para os traficantes – enquanto as haitianas são planas.

No Rio de Janeiro há um interesse financeiro em manter o território por causa do das drogas, assim o combate é constante e os interesses econômicos estão atrelados aos territoriais. No Haiti, embora haja tráfico de drogas, ele é muito pequeno, pois não há comprador e a ilha serve mais como rota de tráfico para os Estados Unidos. As favelas haitianas servem de abrigo para seqüestradores. Uma vez que o cativeiro caiu, não é muito difícil ver o seqüestrador abandonar o território com ou sem o seqüestrado e o combate ocorre apenas por iniciativa do exército.

O armamento utilizado nos dois locais também é muito diferente. O usado contra os soldados brasileiros é bastante antigo e o coquetel molotov, arma incendiária caseira, é o preferido dos haitianos. Já na guerra contra o Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) e cia, não é muito difícil encontrar fuzis, granadas e metralhadoras de calibre geralmente maior do que os usados pelos policiais.

Uma das poucas semelhanças entre os dois locais são as facções criminosas: em ambas não há organização. Na capital fluminense, é muito comum um traficante matar o chefe do morro vizinho. Às vezes, na própria favela também há uma grande disputa na chefia. O próprio Comando Vermelho, outrora tão temido, já está se fragmentando. No Haiti, principalmente em Porto Príncipe, a capital, a situação não é muito diferente. Os criminosos não se unem para se defender dos exércitos estrangeiros, é cada um por si, assim a ação da ONU fica facilitada.

 

O exército e o morro

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Favela da Maré (RJ)

A situação dos morros cariocas parece estar cada vez pior. Embora, segundo Cunha Mattos, o Bope possa ser uma das melhores policias especiais do mundo, não parece haver nada que possa controlar as favelas. Muitas mortes ocorrem, vide o filme Tropa de Elite e a ação do Batalhão no último dia 19, em que duas pessoas morreram na Cidade de Deus, e nada muda.

A única saída aparente seria a atuação do exército nas favelas, e isso já aconteceu algumas vezes. Não é muito difícil se recordar dos tanques militares voltados para os morros durante a Eco Rio 92. Porém, todas essas ações foram feitas sob a lei de manutenção da ordem pública, e ocorrem esporadicamente em situações excepcionais.

O recente caso do roubo de 10 fuzis e uma pistola no Estabelecimento Central de Transportes (ECT), no bairro de São Cristóvão (zona norte), no dia 3 de março, mostrou a atual incapacidade do exército de atuar no Rio. Por falta de amparo legal, os militares não puderam revistar os barracos para encontrar os fuzis. Como solução, eles tomaram 12 favelas da capital, entre eles o Complexo do Alemão e a Maré, entre os dias 3 e 14 de março, diminuíram bruscamente o tráfico de drogas e os fuzis acabaram aparecendo, após um acordo com o Comando Vermelho, que assumiu a autoria do roubo.

A falta de jurisdição legal, aparentemente, é o maior empecilho para a presença dos soldados nas favelas do Rio de Janeiro. Segundo o coronel, o exército “tem capacidade tática, mas falta capacidade jurídica”. Há também uma dificuldade política para atuar sobre a polícia, pois, ela seria a força que daria conta da situação, e ao convocar o exército, automaticamente se está menosprezando a força policial.

Caso esse impedimento jurídico fosse vencido, teria que ser feito um treinamento para os militares atuarem como polícia, nos moldes do feito para o Haiti, já que a situação daqui é pior do que a de lá, como disse o chefe da Seção de Informações Públicas do Exército. O exército também teria que se adaptar para diminuir os efeitos colaterais de suas ações, e assim garantir o princípio fundamental da humanidade, que é o direito à vida.

Uma vez que o exército tomar a favela, não pode simplesmente ir embora, segundo disse o coronel. Ele tem que se estabelecer no morro e afiançar que a situação se manterá controlada. E, quem sabe, com o mesmo jeitinho brasileiro de ser e com a mesma cordialidade que o exército tem apresentado no Haiti e que tem dado certo, os militares poderiam realizar ações sociais de uma forma sistemática, tal qual no Haiti, e tranqüilizar a conturbada situação em que o Rio de Janeiro se encontra.

O Fino de guerra

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 O repórter Carlos Fino, autor do livro A Guerra Ao Vivo

 

Por Bruno Huberman

 

Lascas de crânio. Restos de cérebro. Poças de sangue. Balas e bombas. Essa é a descrição superficial do cenário que o repórter de guerra é obrigado a conviver enquanto faz a cobertura dos fatos. Para esclarecer as funções e os objetivos dessa romântica figura nessa terrível situação, foi convidado para o 2º encontro do atual módulo do Projeto Repórter do Futuro sobre situações em conflito armado, o homem que furou a CNN no início da Guerra do Iraque: Carlos Fino, repórter da portuguesa RTP (Rádio e Televisão Portuguesa).

            “Sou um repórter de guerra acidental”, disse logo no início da entrevista. Na época em que era um correspondente internacional da RTP em Moscou, Fino sentiu-se impelido a cobrir os conflitos que estavam ocorrendo na então URSS e acabou virando um repórter de guerra, embora, segundo o próprio, estivesse totalmente despreparado, porém não se arrepende.

            Fino se mostrou bastante convicto em certos assuntos mais delicados. Ele é totalmente a favor da criação de um estatuto que permita os jornalistas circularem nas regiões em guerra com imunidade, pois a informação é algo vital para o desenrolar da guerra, embora essa seja altamente espetacularizada. Os meios de comunicação informam o que lhes convém, censuram muitas notícias e chegam até desinformar (fabricando notícias).

            O português também é a favor de algo que o representante do CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha), João Paulo Charleaux, disse ser contra: uma identificação própria para profissionais de imprensa. Para o ex-repórter, esses profissionais deveriam usar uma cruz azul ou branca como identificação, que seria apenas mais um alvo fácil para os guerrilheiros, segundo Charleaux. Atualmente, os jornalistas apenas usam coletes a prova de bala e os carros, que não são blindados, circulam apenas com os escritos “PRESS” ou “TV” como medida de segurança.

             O repórter

            O jornalista não deve se deixar manipular. Sempre deve estudar e manter-se informado. Sempre ser objetivo e manter uma certa distância em relação aos fatos da realidade. Esses são os mandamentos de um bom repórter de guerra, segundo Carlos Fino. Um bom jornalista deve sempre tentar checar os dois lados da notícia, caso possível, ainda mais numa guerra. É muito difícil seguir a cartilha enquanto se está rodeado por uma tribo de repórteres extremamente individualistas e no meio de dois lados nada amistosos.

            Um repórter independente sempre é eliminado. Em uma guerra, querendo ou não, ele tem que escolher um lado para se proteger. O outro lado sempre irá criar-lhe imposições e dificuldades, não importa o que se faça. Fino, durante a guerra do Iraque, entrou credenciado pelo governo local, porém sempre manteve um bom distanciamento, sendo o máximo imparcial para ficar com uma boa imagem, pois ela é vital na hora de colher uma informação preciosa. Ótimo exemplo de como não ser um repórter de guerra são os americanos, pois em sua maioria eles chegam junto dos soldados ianques e nunca buscam outra informação a não ser a divulgada pelo seu governo.

            A relação repórter-fonte sempre será extremamente ambígua, às vezes até meio esquizofrênica. Uma fonte permanente para o jornalista sempre será propaganda local. No caso do Iraque, os órgãos do Estado iam atrás dos jornalistas para lhes mostrarem as atrocidades que os americanos faziam, às vezes até pagavam para serem entrevistados. Do cotidiano de uma guerra sempre vão saltando pautas, não há como escapar. Assim, a diferença de um repórter para o outro passa ser o feeling, ou seja, estar no local certo na hora certa.

            Uma ilusão desmistificada pelo jornalista português foi a do repórter de hotel. Este é aquele que fica dentro do seu quarto, consultando os principais sites de notícias, assistindo aos maiores canais de televisão, portanto não há problema de fonte, e dessa maneira produz suas pobres matérias jornalísticas. Segundo Fino, sem o repórter no local, sem ele correndo atrás de fontes exclusivas não há cobertura e essa informação é insubstituível. Para tanto, seria mais fácil os meios de comunicação contratarem agências de notícias com suas reportagens frias e teoricamente imparciais – algo que muitos meios brasileiros tem feito, infelizmente.

Desvendando a Cruz Vermelha

Comitê Internacional da Cruz Vermelha

por Bruno Huberman

Tudo começou no longínquo ano de 1859, no dia em que o suíço Nobel da Paz Henri Dunant estava indo se encontrar com Napoleão III. Quando ele se deparou com as vítimas da Batalha de Solferino e decidiu ajudá-las, o primeiro passo já estava dado. Nesses quase 150 anos que separam o acontecimento descrito acima e o encontro desse último sábado, 06 de outubro, nas dependências da Oboré, que iniciou o Projeto Repórter do Futuro, muita coisa aconteceu: o CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha) foi criado por Henri Dunant, foram assinadas quatro Convenções de Genebra que formam o núcleo duro do DIH (Direito Internacional Humanitário), duas Guerras Mundiais e dezenas de outros conflitos.

Para desvendar os mistérios dessa seita secreta que é o CICV, foi convidado o assessor de comunicação da Cruz Vermelha para Brasil, Chile, Uruguai, Paraguai e Argentina, o jornalista de formação João Paulo Charleaux.

O convidado mostrou muito do que o CICV já fez para o mundo. As Mensagens Cruz Vermelha ajudam os presos a se comunicarem com suas famílias ao redor do globo. Apenas em 2006, foram 630 mil. Em Guantánamo, onde a Cruz Vermelha é a única a ter permissão de entrada, houve ajuda na definição do status jurídico dos presos para que eles pudessem ter um julgamento justo. Em Darfur, há uma distribuição de produtos agrícolas e a presença de veterinários com o intuito de melhorar as situação de vida e assim diminuir número de refugiados e deslocados. No Iraque, mesmo com grandes dificuldades como a morte de cinco colaboradores desde 2003, há uma grande atenção médica à população e um esforço para a restauração do saneamento básico no país. No sudeste asiático, principalmente no Sri-Lanka, há um movimento de reconstrução dos países atingidos pelo tsunami, em 2004.

Os países que formam o cone sul do continente americano também recebem ajuda do Comitê Internacional, que atua em conjunto com as Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha de cada país, que são muito fortes nessa região. No Chile, há uma assistência aos índios Maputi, que estão em conflito com madeireiras alegando direito ancestral por terras ao sul do país e também há uma tentativa de aproximar esse povo indígena da assistência médica. Na Argentina, há uma participação nos primeiros socorros às vítimas em questões de distúrbios. No Paraguai, há o tradicional sistema de visitas aos prisioneiros e um diagnóstico da situação carcerária.

E no Brasil? Como essa entidade tão importante tem atuado em terras tupiniquins?

Atualmente, a Cruz Vermelha Brasileira, que outrora já fora uma das mais importantes da América Latina, está afundada em processos trabalhistas. Ela tem um plano estratégico voltado para a violência com o objetivo de tentar se restabelecer. As filiais, como a de São Paulo e de Curitiba, ainda mostram algum fôlego, mas não o suficiente para salvar a imagem da entidade.

O CICV já atuou em conjunto com a Cruz Vermelha Brasileira durante a ditadura militar visitando alguns prisioneiros políticos, principalmente em Pernambuco. No norte do país, houve uma ajuda a uns índios, entre eles crianças com menos de doze anos, que estavam vivendo em beira de estrada. Recentemente, em Caçapava (SP), o próprio João Paulo se encontrou com os militares brasileiros que estavam embarcando para o Haiti. No encontro, houve uma palestra de divulgação das normas em situações de guerra e o esclarecimento de dúvidas de caráter militar. E a situação do Rio de Janeiro é a mais delicada. O que o CICV tem feito é um convênio com o Estado para que as normas sejam implantadas e para que seja discutido o uso da força policial em casos extremos. O sucesso, segundo os próprios policiais, tem sido no âmbito cultural, pois a polícia, que hoje apresenta características militares (vide o filme Tropa de Elite), tem dado abertura para que alguém de fora discuta as doutrinas policiais, o que já é um grande avanço. Há também consultores externos analisando a atuação dos policiais.

Em relação aos morros com grandes problemas sociais, que são quase todos, a atuação tem sido quase mínima. Quando ocorrida, tem permanecido em sigilo por questão de segurança. O que se tem planejado para ser implantado no Brasil é algo que já ocorre similarmente no Paraguai: serviços médicos nas penitenciárias e um diagnóstico da situação carcerária.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha mostrou-se como um dos principais órgãos internacionais, principalmente na defesa do Direito Internacional Humanitário e na assistência as populações dos países em situação de conflito armado. A pouca atuação do CICV no Brasil tem um lado bom, pois mostra que nós não precisamos tanto dela quanto outros países, mas ela poderia ser melhor, como tudo na vida.