Arquivo paraNovembro 6, 2007

Ocupação da Reitoria!

pela editoria “1″ do Sem Fio

Claro que o Sem Fio é um blog que fala sobre cultura e sociedade. Contudo, ele vem mostrando o seu lado político de forma natural através da nova editoria criada de forma improvisada chamada “1″.

Para continuar esse lado político espontânea, o Sem Fio apoia de forma total e irrestrita a ocupação da reitoria da PUC-SP, ocorrida ontem a noite.

Aqui abaixo, para quem quiser ler, está o manifesto dos estudantes ocupados na reitoria.

MANIFESTO DOS ESTUDANTES OCUPADOS NA REITORIA DA PUC-SP

 

Ocupamos a Reitoria nesta noite como forma de protesto pela maneira com a qual o Redesenho Institucional, demissões e bolsas vem sendo tratadas nesta universidade. O verticalismo burocrático tem mantido toda a comunidade puquiana à margem de um dos mais importantes processos pelo qual essa universidade já passou. Nós, os estudantes, seguidamente pagamos o pato das políticas desastradas da gerontocracia universitária. Basta! Não aceitaremos a intervenção da tropa de choque neste ato político, como é costume dos poderosos da burocracia universitária. Basta! Não ficaremos calados, conforme é a vontade dos de cima. Basta! Democracia se faz de forma direta, sem conselhos de fantoches, sorrisos e bocas. Basta de laboratórios picaretas e mensalidades altas. Realmente, do alto do castelo, a vista é linda.

 

Quem sabe o que é o Redesenho? Estamos aqui para debater com cada estudante, de portas abertas, para construir opiniões e consensos. Sim, a Reitoria da PUC-SP não é mais um claustro, à mando da Santíssima Trindade (Pai, Cúria, Bradesco Santo).

 

O movimento estudantil da PUC não consentirá com tais medidas arbitrárias. Propomos pelo momento:

 

- Só haverá negociação mediante o resultado das assembléias de curso e com a garantia de não haver nenhuma forma de repressão tanto pela Graber quanto pela polícia.

- Anulação do Processo de Redesenho Institucional. Por um processo realmente democrático, construído pela comunidade.

- Pela revogação da atual política de bolsas que impede os primeiranistas de terem acesso à universidade. Queremos bolsas que atendam as reais necessidades dos estudantes e que a abertura deste novo edital se dê mediante à participação dos estudantes.

- Nenhuma demissão de professores e funcionários. Chega de demissões!

- Nenhuma punição aos estudantes ocupados. Choque então, nem pensar.

- Solidariedade as demais ocupações em todo o Brasil. A nossa luta é uma só!

Amanhã acontecerão assembléias por toda a universidade para discutir as demandas especificas de cada curso frente ao processo de Redesenho.

NÃO PASSARÃO”

Para saber mais sobre a ocupação da reitoria, visite o seu blog: ocupapuc.wordpress.com

“Sim!” Yoko

por Bruno Huberman

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John Lennon e Yoko Ono durante a campanha contra a Guerra do Vietnã

Durante as gravações do derradeiro álbum Lei It Be (1970), John e o produtor do disco Allen Klein, alteraram algumas músicas. Mudaram a velocidade de algumas canções, introduziram frases cômicas de apresentação e acrescentaram coros. Na faixa The long and winding road, colocaram 50 músicos de orquestra, criando uma massa sonora, com arpas e trombetas. Essa foi a gota d’água para Paul, que passou a produzir o seu primeiro disco solo na mesma gravadora, escondido de todos, usando o pseudônimo de Billy Martin, em sessões secretas.

Sim, estamos falando de John Lennon e Paul McCartney, ou seja, The Beatles. Esse foi o motivo que separou de forma definitiva a maior banda de rock de todos os tempos. O desentendimento de Paul e John havia começado em 1968 durante as gravações do White Album, portanto antes de John Lennon subir uma escadaria e através da lupa que estava em seu topo ler a palavra “Yes” (“sim”), acontecimento esse que determinou o beatle conhecer a artista de tal obra: Yoko Ono, em 1969.

Após essa digressão pela história da música, podemos constatar que a artista plástica não é a causa do que lhe é atribuída à fama: o fim dos The Beatles. E vale ressaltar que antes de John Lennon, Yoko Ono já era Yoko Ono, pois, afinal, não é qualquer japonesa de Tóquio que consegue uma exposição individual em um dos maiores museus de Nova York com apenas 36 anos de idade.

Agora com 74 anos, Yoko Ono – uma das poucas mulheres com proeminência no meio artístico experimental e vanguardista dentro do contexto internacional – retoma a exposição que mudou sua vida: “Ceiling Paiting”. A obra faz parte da mostra retrospectiva da carreira de Yoko que o Centro Cultural Banco do Brasil inaugura no próximo dia 11, a sua segunda em território nacional (a primeira foi em 1998, em Brasília). A mostra faz parte de uma série de realizações que o CCBB tem feito em homenagem ao centenário da imigração japonesa ao Brasil.

A exposição é um desdobramento de outra, Horizontal Memories, e será composta por cerca de 80 obras entre objetos, fotos, filmes, música e instalações. Devido ao seu tamanho e diversidade, o projeto extrapolou o espaço que lhe foi disponível e assim passará a ocupar os quatro andares do CCBB.

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A artista apresentará de graça toda sua obra

Uma noite no Municipal

Palco de tantas apresentações tão importantes, o Theatro Municipal de São Paulo terá como anfitriã no próximo dia 8 a viúva de Lennon.

“Uma Noite com Yoko”, espetáculo de aproximadamente 60 minutos, faz uso de projeções e música para abordar diferentes momentos de sua vida e foi criado especialmente para sua vinda a São Paulo, portanto é inédito no mundo inteiro.

“Uma Noite com Yoko”: Theatro Municipal (pça. Ramos de Azevedo, s/nº, região central, tel. 3222-8698). 1580 lugares. Qui: 21h. R$ 60 a R$ 200 (p/ estudantes: R$ 30 a R$ 100). Ingr. p/ tel. 6846-6000 ou via Ticketmaster.

Exposição: Centro Cultural Banco do Brasil (rua Álvares Penteado, 112, região central, tel. 3113-3651/3652). 10 de novembro a 3 de fevereiro de 2008. Entrada franca.

Amor exagerado é tema de “O Passado”

 

 Por Jaqueline Ogliari

O mais ambicioso livro do argentino Alan Pauls, O Passado, finalmente chega às telas do cinema na direção de Hector Babenco, e seu filme é o mais esperado pelos espectadores da 31ª Mostra Internacional de Cinema. Pauls conta em terceira pessoa a trajetória de Rímini após sua separação, porém a sombra da ex-mulher Sofía ainda o atormenta e se mantém constante em sua vida.

 O que mais assustou Pauls é alguém querer adaptar seu livro para o cinema. “É inadaptável”, diz o autor a Babenco, quando este foi entrevistado pelo portal de notícias G1. Mas o diretor resolveu aceitar o desafio e produzir O Passado, protagonizado por Gael García Bernal, presente na Mostra deste ano.

Alan Pauls tem seus motivos para considerar sua obra inadaptável. O livro é repleto de digressões, referências psicanalíticas a Freud e Barthes, complicadas ao passar para o cinema, e Babenco foi criticado por não definir ao certo o que se passava na história. O momento da morte de Véra, segunda mulher de Rímini, por exemplo, ficou meio sem explicação. Mas, apesar das críticas, O Passado tem grande aceitação do público, e está em cartaz em todos os cinemas do país.

O nome do livro, O Passado, é uma explicação ao amor exagerado de Sofía por Rímini que, mesmo após a separação amigável, não consegue deixar o ex-marido em paz. Como explica o próprio autor, em entrevista a Folha de S. Paulo, “O Passado é, por definição, o que nunca termina de passar”. E isso justifica os graves problemas pelos quais Rímini sofre; a presença constante de Sofía – seu passado – torna-se um obstáculo para que ele siga a sua vida.

Pauls elabora uma tese sobre o amor, de que ele não há se não envolve uma dimensão de pesadelo. E Babenco procura preservar no filme a “alma do livro”, a “existência fantasmagórica” dos amantes. Essa existência significa que o amor não acaba, que as pessoas continuam amando aquelas que já amaram, apesar de terem outros amores. O Passado recebeu em 2003 o prestigioso prêmio Herralde, concedido para livros de ficção em língua espanhola.

 O PASSADO
Autor:  PAULS, ALAN
Tradutor:  BAPTISTA, JOSELY VIANNA
Editora: COSAC NAIFY

Preço: R$ 55,00