Arquivo paraOutubro 2, 2007

Descobrindo Clarice Lispector

Por Jaqueline Ogliari

“Ver é a pura loucura do corpo”. Uma das frases de Água Viva abre a grande exposição temporária Clarice Lispector – A hora da estrela, no Museu da Língua Portuguesa, em comemoração de um ano de funcionamento. Apesar de fazer trinta anos de sua morte, Clarice marca sua eterna presença na literatura brasileira. Nasceu na Ucrânia, em 1920, mas é considerada uma das melhores escritoras brasileiras, e lutou por sua cidadania com bravura e sensibilidade. Escreveu obras inesquecíveis, como A paixão segundo G.H., A maçã no escuro e A hora da estrela.

O museu é conhecido pela disposição moderna de seu acervo e pela interatividade que os visitantes podem ter com ele. Ao entrar no ambiente em que está a exposição, deparamo-nos com uma sala escura, com várias imagens da escritora na parede, e atrás frases de seus livros. Olhamos cada uma como se estivéssemos olhando para dentro da própria Clarice – talvez fosse essa mesma a intenção. Depois, há uma outra salinha, com mais frases da escritora grifadas nas paredes brancas, e um colchão disposto no meio também com uma frase. Seguindo a exposição, entramos em outro espaço com quadrados nas paredes tampados com vidro; logo após este há mais um ambiente escuro, mais frases grifadas na parede e um cubículo de espelho ao meio com as cidades pelas quais Clarice passou.

Após conhecer um pouco das obras de Clarice, há um ambiente enorme com várias (muitas mesmo) gavetas envolvendo as paredes. Algumas delas são possíveis de se abrir, e dentro encontramos documentos, livros, fotos, publicações e cartas – tudo sobre a vida da escritora. É bastante agradável abrir uma por uma, olhar as fotos, ler as cartas escritas à máquina ou ao próprio punho de Clarice e mergulhar no seu mundo cheio de mistérios. “Com o perdão da palavra, sou um mistério para mim”, segundo ela própria.

No meio desse espaço cheio de gavetas, há um outro menor com paredes brancas, e uma frase do livro A paixão segundo G.H.. Quando você entra na sala, depois de ler a frase, descobre que há uma barata gigante projetada ao fundo. Ao percorrer a exposição, fazemos descobertas como essas, e muitas vezes nos colocamos no lugar de suas personagens.

Inserir o público no mundo particular de Clarice Lispector não é nada simples. O Museu da Língua Portuguesa cumpre a missão de desvendar os enigmas de sua vida, “a explicação do enigma é a repetição do enigma”. A exposição foi prorrogada até 14 de outubro, para que muitos ainda possam conhecer e desbravar a vida e a obra enriquecedoras de Clarice.

Criatividade excêntrica

Por Priscilla Cavalieri

Manson posa ao lado de seus quadros

Auto-intitulado “Anticristo Superstar”, Marilyn Manson veio ao Brasil para apresentar mais que shows excêntricos, que, diga-se se passagem, estão perdendo cada vez mais o seu poder de chocar. Manson veio também expor a sua coleção de 29 telas que já passaram pelos EUA e Europa. As obras tratam de temas como morte, doença, mutilação, vício e assassinatos famosos – reais ou fictícios.

Poucos sabem, mas desde o início de sua carreira como músico Marilyn Manson tem desenvolvido seus dons para a pintura. Sua criatividade excêntrica resultou em diversas exposições e, em 2006, Manson abriu sua própria galeria em Los Angeles.

O coquetel de abertura da exposição “Fleurs Du Mal”, aconteceu na ultima noite de quinta-feira (27), na Galeria Romero Britto, em São Paulo. O espaço foi cedido pelo próprio artista plástico brasileiro, que raramente disponibiliza sua galeria para outros artistas. Nesse caso foi Brito quem convidou Manson, que é seu amigo, para expor suas aquarelas no local.

Quem vai à galeria prestigiar a mostra, logo percebe o contraste entre as figuras ultracoloridas do artista brasileiro Romero Brito e as aquarelas sombrias de Manson. Pode-se dizer, no entanto, que o então pintor dispensa certo toque de “leveza” -se é que se pode chamar assim- às suas telas de horror ao escolher como material a aquarela.

A mostra está aberta ao público durante as próximas três semanas. Para quem tiver interesse em adquirir as aquarelas do roqueiro, elas estão à venda por preços que variam de US$ 3 mil a US$ 50 mil.