A São Paulo que apenas as fotos de B.J. Duarte conhecem

por Bruno Huberman

“No meu tempo não era assim…”. Quem nunca escutou uma saudosa vó ou bisavó dizer isso? Ou aquela fábula de que era possível nadar no rio Pinheiros. Tudo que faz parte do nosso stress contemporâneo – trânsito, poluição, multidão, violência – não existia e São Paulo evoluía para se tornar uma potência mundial cercada pelos modernistas da Semana de Arte Moderna de 1922, entre eles o escritor Mário de Andrade.

Esse mesmo Mário de Andrade, desde 1935 na função de chefe do Departamento de Cultura de São Paulo, fez com que o modernismo que assolava a cidade chegasse à fotografia. Ou seria melhor dizer que o desconhecido fotógrafo B.J. Duarte, contratado por Mário de Andrade, fez com que a fotografia chegasse ao nível de excelência que os magníficos modernistas haviam alcançado na literatura 12 anos antes?

 

 

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O escritor Mário de Andrade, 1937

Desde o dia 27 de agosto o paulistano pode dirigir-se até o coração da sua cidade na Galeria Olido (Av. São João, 473) e conferir a modernização que estava ocorrendo na cidade durante o governo de Prestes Maia (1937-45) segundo as lentes de B.J. Duarte. Junto das 65 imagens que compõe a exposição está sendo lançado o livro “B.J. Duarte: caçador de imagens” (Cosac Naify), que, além de grande parte da obra do fotógrafo, conta com uma entrevista dada em 1986 e textos de diferentes autores narrando a trajetória do artista – desde a sua formação técnica na França até o seu trabalho como fotojornalista.

A exposição

Nas fotos em preto-e-branco que formam a exposição é possível perceber que Duarte não se prende a uma linha de pensamento para mirar a sua máquina fotográfica. Ele está sempre buscando mostrar a diversidade que São Paulo tem como característica desde a década de 30. Seja nas suas pessoas ou em suas construções.

As imagens também revelam fatos curiosos que até nossas avós não devem se recordar: carros estacionados na Praça da Sé enquanto a sua catedral ainda está sendo erguida e uma calma Av. Rebouças cercada por árvores e sobrados.

Uma das fotos que mais chama atenção não teria causado tanto impacto a alguns meses atrás: calmos e tranqüilos, os passageiros embarcam num avião no meio da pista do mais calmo ainda Aeroporto de Congonhas.

image002.jpg Crianças brincando no Parque d. Pedro II, no Brás, em 1937

São Paulo não é mais a mesma faz tempo como é possível constatar nas fotos de J.B. Duarte. Ela está em uma constante e interminável mutação que logo resulta em “uma cidade fantasma e perdida em bruma, apenas reconhecível nas dimensões dessas fotos envelhecidas, mudas e inertes”, como o próprio J.B. diz. Por isso vale a pena conferir como ela costumava ser.

Para mais fotos, clique aqui.

 

 

 

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