Arquivo paraSetembro 18, 2007

A São Paulo que apenas as fotos de B.J. Duarte conhecem

por Bruno Huberman

“No meu tempo não era assim…”. Quem nunca escutou uma saudosa vó ou bisavó dizer isso? Ou aquela fábula de que era possível nadar no rio Pinheiros. Tudo que faz parte do nosso stress contemporâneo – trânsito, poluição, multidão, violência – não existia e São Paulo evoluía para se tornar uma potência mundial cercada pelos modernistas da Semana de Arte Moderna de 1922, entre eles o escritor Mário de Andrade.

Esse mesmo Mário de Andrade, desde 1935 na função de chefe do Departamento de Cultura de São Paulo, fez com que o modernismo que assolava a cidade chegasse à fotografia. Ou seria melhor dizer que o desconhecido fotógrafo B.J. Duarte, contratado por Mário de Andrade, fez com que a fotografia chegasse ao nível de excelência que os magníficos modernistas haviam alcançado na literatura 12 anos antes?

 

 

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O escritor Mário de Andrade, 1937

Desde o dia 27 de agosto o paulistano pode dirigir-se até o coração da sua cidade na Galeria Olido (Av. São João, 473) e conferir a modernização que estava ocorrendo na cidade durante o governo de Prestes Maia (1937-45) segundo as lentes de B.J. Duarte. Junto das 65 imagens que compõe a exposição está sendo lançado o livro “B.J. Duarte: caçador de imagens” (Cosac Naify), que, além de grande parte da obra do fotógrafo, conta com uma entrevista dada em 1986 e textos de diferentes autores narrando a trajetória do artista – desde a sua formação técnica na França até o seu trabalho como fotojornalista.

A exposição

Nas fotos em preto-e-branco que formam a exposição é possível perceber que Duarte não se prende a uma linha de pensamento para mirar a sua máquina fotográfica. Ele está sempre buscando mostrar a diversidade que São Paulo tem como característica desde a década de 30. Seja nas suas pessoas ou em suas construções.

As imagens também revelam fatos curiosos que até nossas avós não devem se recordar: carros estacionados na Praça da Sé enquanto a sua catedral ainda está sendo erguida e uma calma Av. Rebouças cercada por árvores e sobrados.

Uma das fotos que mais chama atenção não teria causado tanto impacto a alguns meses atrás: calmos e tranqüilos, os passageiros embarcam num avião no meio da pista do mais calmo ainda Aeroporto de Congonhas.

image002.jpg Crianças brincando no Parque d. Pedro II, no Brás, em 1937

São Paulo não é mais a mesma faz tempo como é possível constatar nas fotos de J.B. Duarte. Ela está em uma constante e interminável mutação que logo resulta em “uma cidade fantasma e perdida em bruma, apenas reconhecível nas dimensões dessas fotos envelhecidas, mudas e inertes”, como o próprio J.B. diz. Por isso vale a pena conferir como ela costumava ser.

Para mais fotos, clique aqui.

 

 

 

A revolução da Web 2.0

Por Fernanda Nascimento  

Hoje identificamos a formação da chamada mídia social, um novo conceito de comunicação que cada vez mais desenvolve ferramentas para as pessoas não apenas se comunicarem umas com as outras, mas formarem comunidades. Dessa forma o indivíduo pode compartilhar com a rede através de blogs, por exemplo, tornando-se veículo de comunicação. A chamada mídia social criou novos conceitos como a comunicação wiki. O conceito foi criado por Ward Cunningham visando o desenvolvimento de sites com conteúdos gerados pelos próprios usuários. O wiki é um dos elementos da chamada web 2.0, que representa uma nova forma de produção de conteúdo, através do compartilhamento de informações, vídeos, fotos, blogs, etc.

Hoje vivemos um fenômeno chamado de Long Tail (cauda longa). O termo, criado por um jornalista americano, traduz a nova realidade digital, caracterizada pelo crescimento do espaço daqueles que estão longe de ser parte das grandes corporações. Deste modo, uma banda desconhecida pode divulgar seu vídeo no YouTube, ser assistida por milhares de usuários e procurada por uma gravadora. Um número muito grande de artistas ganharam notoriedade nos últimos tempos postando vídeos divulgando seu trabalho. Esses representam uma maioria que fica na ponta da cauda e antes não tinha espaço para se impor diante do mercado, mas agora conquistam reconhecimento através da mídia social. Criou-se a comunicação viral, feito típico e exclusivo da Internet.

Os blogs representam uma mudança radical na comunicação. Hugh Hewitt, autor da publicação Blog- Entenda a revolução que vai mudar seu mundo, ilustrou essa mudança como tão importante quanto a imprensa criada por Gutenberg. Hoje existem mais de 66 milhões de blogs e eles vêm ganhando espaço na nova mídia e, o que é mais importante, credibilidade. Eles passaram a interferir não só da vida do indivíduo como também nas empresas, nas comunidades e nas organizações, pois estimulam a coletivização a partir da autonomia e acompanham o ritmo da Internet, que se transforma em uma velocidade extraordinária.

Até então nenhum autor tinha analisado profundamente o universo da Web 2.0. Na última segunda, dia 10, os espanhóis Hugo Pardo e Cristóbal Codo lançaram o livro Planeta Web 2.0: inteligencia colectiva ou medios fast food. A publicação é uma reflexão não sobre os rumos que essa era vai tomar, mas sobre o que ela é de fato. Os autores questionam: “vivemos em uma fase determinante e criativa da inteligência coletiva, ou simplesmente se trata de um cenário de meios fast food, de consumo rápido e de caráter amador e de baixa qualidade, em rápida transição em direção a uma nova etapa evolutiva?”.

O livro só está disponível em espanhol e é um e-book, o que significa que ele pode ser baixado na Internet livremente. Nada mais esperado. Os autores também mantém um blog, que é atualizado freqüentemente.

Não sei dizer se o livro responde alguma dúvida sobre esse universo tão complexo. Mas vale a pena tentar entender um pouco do fenômeno que veio para revolucionar os meios de comunicação.