Por Julio Pindanga
Acabou no dia 8 de setembro o 64º Festival de Cinema de Veneza. O evento, que festeja 75 anos, exibiu filmes de diretores consagrados como Woody Allen, Brian de Palma e Ang Lee. O filme “Lust, Caution” (“Desejo, Cautela” em tradução literal), dirigido por Lee, foi o vencedor do Leão de Ouro deste ano. Vale ressaltar que este foi o 2º Leão de Ouro conquistado pelo diretor taiwanês (o primeiro foi conquistado com o polêmico “O Segredo de Brokeback Mountain” em 2005).
A história de “Lust, Caution” se passa em Xangai, durante a ocupação japonesa, na Segunda Guerra Mundial. È um belo e forte drama de espionagem, política e sexo. O filme narra uma difícil história de amor entre a jovem estudante chinesa Wang Hui Ling (a estreante Tang Wei) e um alto funcionário chinês que colabora com o governo japonês e a quem a encarregam de assassinar. As longas cenas de sexo explícito do filme fazem com que esta seja uma das produções que mais causaram escândalo em toda a história do festival, assim como suas narrativas poéticas causaram admiração por volta de toda a crítica e público.
Já o veterano diretor americano Brian De Palma conquistou o Leão de Prata por seu filme “Redacted”, que relata e crítica a guerra do Iraque, baseado num incidente da Guerra do Iraque em que soldados americanos de um posto de controle estupraram uma garota de 14 anos, massacraram sua família, atiraram no rosto dela e incendiaram seu corpo. Utilizando-se de material que circula pela internet para compor seu filme, De Palma faz uma crítica profunda aos meios de comunicação, alegando que a informação sobre os incidentes no Iraque são manipulados e omitidos.
Veneza foi a cidade aonde nasceu a idéia de se promover uma mostra de arte cinematográfica. O primeiro festival de filmes do mundo teve sua abertura há exatamente 75 anos, com “Dr Jekyll e Mr. Hyde”, de Rouben Mamoulian. A exibição se deu ao ar livre, no terraço do recém-construído Hotel Excelsior, na ilha balneária Lido. Durante o fascismo italiano o festival foi um evento fechado para as Potências do Eixo e só foi reaberto em 1947. Foi nesse ano que se criou o prêmio “Leone d’Oro” (Leão de Ouro, em português), uma referência ao leão alado, símbolo da cidade. Desde então, o prêmio é um dos mais cobiçados do mundo do cinema, ao lado do Oscar e da Palma de Ouro de Cannes.
O festival, hoje, é um dos grandes eventos da indústria cinematográfica e ao longo dos anos manteve-se intacto e é um ícone para a história do cinema. Veneza sempre foi palco para que novos diretores pudessem mostrar seus trabalhos e serem reconhecidos. Akira Kurosawa, Ingmar Bergman e os mestres italianos Luchino Visconti, Michelangelo Antonioni e Federico Fellini também festejaram seus grandes sucessos no festival.
Segue abaixo lista com as principais premiações:
- Leão de Ouro (melhor filme): “Se, Jie” (Lust, Caution), do diretor taiuanês Ang Lee.
- Leão de Prata (melhor direção): Brian de Palma, por “Redacted”.
- Prêmio Especial do Júri: “La Graine et le Mulet”, do diretor francês Abdellatif Kechiche, e “I’m not There”, do americano Todd Haynes.
- Melhor Ator: Brad Pitt, por “The Assasination of Jessy James by the Coward Robert Ford”, do diretor americano Andrew Dominik.
- Melhor Atriz: australiana Cate Blanchett, por “I’m not There”.
- Prêmio Marcello Mastroianni (ator/atriz revelação): francesa Hafsia Herzi por “La Graine et le Mulet”.
- Prêmio Leão de Ouro Especial pelo Conjunto da Obra: cineasta russo Nikita Mikhailov.
- Melhor Roteiro: britânico Paul Laverty por “It’s a Free World”, do diretor Ken Loach, também britânico.
- Melhor fotografia: mexicano Rodrigo Prieto por “Se, Jie”.
- Melhor Estréia: “La Zona”, do uruguaio-mexicano Rodrigo Plá.
- Leão de Prata de Melhor Curta: “Dog Altogether”, do britânico Paddy Considine.
- Menção Especial em curta-metragens: “Liudi iz Kamnya”, do russo Leonid Rybakov.
- Mostra Horizonte (“novas tendências”) – Melhor filme: “Sügisball” (“Autumn Ball”), do estoniano Veiko Õunpuu.
- Melhor documentário: “Wuyong” (“Useless”), do chinês Jia Zhangke.