Arquivo paraSetembro 5, 2007

Elvis: Eterno

por Marianna Sanfelicio 

Há trinta anos morreu o Rei do Rock. A história e os sucessos de Elvis Aaron Presley provam que ele não ganhou esse título à toa.

Elvis 

Elvis nasceu em East Tupelo, uma cidade pequena do Mississippi, em oito de janeiro de 1935. Sua mãe passou por uma gravidez arriscada de gêmeos, e apenas a segunda criança sobreviveu. Elvis e sua mãe passariam ainda algumas semanas no hospital antes de serem liberados para voltar para casa. Durante sua vida, ele estabeleceu um vínculo forte com a mãe, que estava presente em todos os seus momentos importantes. Sua família era pobre, e freqüentadora assídua da Igreja Evangélica Assembléia de Deus, onde ele cantou algumas vezes no coral. De sua infância em East Tupelo vem suas influências na música gospel.

Em 1945, o diretor de sua escola o levou para um concurso de novos talentos, onde ele ganhou o segundo lugar. No ano seguinte ganhou seu primeiro violão, um presente de seus pais, que não podiam dar a bicicleta que ele havia pedido. Sua família se mudou para Memphis em 1948, onde Elvis arranjou um emprego como motorista de caminhão. Foi em um horário de almoço que ele parou na gravadora Memphis Recording Service, onde gravou um disco com duas músicas de presente para sua mãe. Serviu para chamar a atenção da secretária do lugar, que anotou seu nome. Quando Sam Phillips, descobridor de talentos da Sun Records, precisou de um cantor, foi o nome de Elvis que apareceu. Ele foi chamado para alguns testes, e mostrou ser até melhor do que Phillips queria.

A partir daí, começou uma trajetória que inclui sucessos como “Love me Tender”, “That’s All Right (Mama)”, “Jailhouse Rock” e “A Little Less Conversation”. Esta última foi, inclusive, relançada em remix em 2002.

É difícil entender como e por que sua carreira quase terminou no final da década de sessenta. Elvis havia engordado, e não se apresentava ao vivo há oito anos. Foi quando, em 1968, ele retornou triunfante em um especial da NBC. As performances subseqüentes em Las Vegas fizeram sucesso, e ele passou a se apresentar na cidade anualmente. Shows em Nova York, com lotação esgotada, coroaram definitivamente essa nova fase de sua carreira.

 Quando morreu, aos 42 anos, ele podia não estar mais em seu auge, mas seguiu sendo uma lenda. Ninguém parece querer esquecê-lo. Ele é a celebridade que mais fatura depois de morta, e nada indica que isso vá mudar. Suas músicas sempre figuram entre as melhores e mais pedidas.

Existem muitas páginas na internet sobre Elvis, seu trabalho e sua história. A maioria se denomina oficial.

Para quem sabe inglês, aqui vai uma boa dica: http://www.elvis.com/

Quem não sabe pode recorrer à Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Elvis_Presley

A Dama e o Vagabundo às avessas

 

 

por Aline Khoury

        São Paulo tem mais um motivo para consolidar-se como a capital latino-americana dos musicais. Outra das adaptações milionárias de clássicos da Broadway, My Fair Lady tem feito jus aos pesados investimentos e salgados ingressos: “O paulistano já mostrou que sabe reconhecer um grande espetáculo, que sabe dar o devido valor a todo o esforço por meses das dezenas de cinegrafistas, figurinistas, diretores e principalmente atores” alega Cecília Soares, que não se importou em desembolsar os R$160 para o melhor setor do teatro Alfa. Existem, porém, alguns meios mais econômicos como o setor 4 de domingo, no qual a meia entrada sai por R$20.

Nesses cinco meses em cartaz, a comédia adaptada pelo diretor veterano Jorge Takla tem repetido o sucesso que rendeu ao musical a proeza de ser encenado por 50 anos ininterruptamente. O filme homônimo (de 1964, na foto acima) e a peça Pigmaleão, de George Bernard Shaw, são as inspirações desta nova versão que conta com uma equipe permanente de 40 artistas, (entre atores, bailarinos e cantores), 20 músicos na orquestra, 40 profissionais na parte técnica (maquinistas, camareiras, cabeleireiros, peruqueiros, maquiadores, operadores de luz, som e contra-regras) e mais de 15 na produção. Dez cenários ricamente adornados e 300 figurinos típicos do início do século XX completam os números capazes de competir com os tradicionais espetáculos europeus ou americanos. Teatro Alfa

A rigorosíssima seleção entre quase 1000 bailarinos levou só mesmo a nata da dança na capital: “Esta é o 3º musical do Takla em que eu chego até a última triagem, acho que sempre peco um pouquinho na voz, porque não adianta cantar qualquer sucesso das Divas, tem que ser canto lírico de primeira – sem contar tantas meninas que saem chorando porque só dominam o jazz; se não tiver toda a base no clássico, tá fora” declara Stela Rossini que, novamente, dançou.

A trama se desenvolve na saga de um rico professor de fonética inglês para transformar em dama aristocrata uma paupérrima vendedora de flores com um palavreado quase indecifrável. Cláudio Botelho arriscou-se a assinar mais uma vez a tradução, depois do êxito em suas adaptações de Les Miserábles, A Bela e a Fera, Chicago e outros. Embora as falas tenham sido aproximadas à nossa realidade sem perder a comicidade, não se pode afirmar o mesmo sobre a trilha sonora, que mesmo mantendo as rimas pode decepcionar espectadores mais fanáticos que esperavam cantar a inteligente letra original. Sobre o filme

Era uma vez um castelo escocês…

por Bruno Huberman

Ayrshire, Escócia – Imagine passeando pelas calmas ruas dessa antiga cidade escocesa um casal de velhinhos quase centenários que viveram nessa região praticamente suas vidas inteiras. Vamos chamá-los de Alfred e Mary. Eis que Alfred e Mary decidem visitar o castelo de Kelburn com suas paredes de pedra medievais intactas desde sua construção no séc. XIII e não encontram nada do que esperavam.

Os aristocráticos escoceses se deparam com paredes revestidas por desenhos multicoloridos no lugar das seculares rochas e um imenso apanhador de cerejas sendo usado para que as pessoas que estão pintando o castelo – que por sinal falam uma língua extremamente estranha a eles, provavelmente latina – alcancem as extremidades mais altas do castelo do conde de Glasgow. Imagine o susto que Alfred e Mary não tomaram!

osgemeos_europa_f_0021.jpg

Essa cena não passa de uma mera ficção criada por quem vos escreve porem muito provavelmente ela ocorreu e chocou alguns moradores e visitantes dessa remota região escocesa. O castelo de Kelburn, um dos mais famosos da Escócia, precisava de uma nova pintura e os filhos do conde de Glasgow, os irmãos David e Alice Boyle, convenceram o seu nobre pai a grafitar todas as paredes do castelo da família.

Para tal importante tarefa foram convocados, entre outros, os paulistanos Gustavo e Otávio Pandolfo (mais conhecido como osgemeos), Nina e Nunca. Os quatro ficaram os meses de julho e agosto fazendo sua arte e vivenciando todos os costumes escoceses para fazerem parte do projeto de dois anos dos irmãos Boyle que busca atrair atenção da mídia, e desafiar a compreensão do público tanto em relação à arte urbana do grafite quanto à instituição britânica do castelo.

para ver todas as fotos do castelo, clique aqui.

Osgemeos

Os grafiteiros e artistas plásticos Gustavo e Otávio Pandolfo já rodaram o mundo de cabeça pra baixo. Embora o reduto deles sempre fosse e sempre será os trens e ruas urbanas, osgemeos já expõem sua arte em galerias internacionais desde 1999, quando um dos maiores nomes da cena internacional, o alemão Loomit, os convidou para uma exposição em Munique, Alemanha.

Depois disso, os irmãos já apresentaram seus grafites na galeria Luggage Store em San Francisco, EUA, na galeria Deitch Project de NY e mantém um grafite fixo no MACBA (Museu de Arte Contemporânea de Barcelona), além de projetos na região de Barcelona, como a “Fábrica dos Sonhos” (foto abaixo), com a também grafiteira Nina.

osgemeos_europa_f_0071.jpg osgemeos_f_0061.jpg

Em 2006 a dupla realizou a sua primeira mostra individual: “O peixe que comia estrelas cadentes”. Ela ficou fixa durante dois meses na Galeria Fortes Vilaça, na região da Vila Madalena, e modificou o ambiente da galeria, desde a interferência na fachada, com uma pintura em formato de cabeça, até obras murais nas paredes e telas com materiais alternativos.

para ver as fotos da exposição na Galeria Fortes Vilaça, clique aqui.