Arquivo paraSetembro, 2007

Famigerado José Mojica

por Caroline Campos

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Vocês sabem quem é José Mojica ?? É um cineasta que após um pesadelo em 1963, criou um personagem fictício chamado Josefel Zanatas, mais conhecido como o Zé do Caixão; o pai do terror trash nacional.

Josefel não tem esse apelido a toa, desde pequeno foi rejeitado pelos colegas da escola por ter um pai com uma agência de funerária. Ele vivia muito sozinho mas na escola conheceu uma menina chamada Sara, que não se importava com o fato da funerária , e passaram a conviver juntos, não se desgrudavam por nada. Esta amizade com o passar dos anos transformou-se em um intenso amor. Como todas as histórias de amor, resolveram casar-se, porém aconteceu um incidente: os pais de ambos quando foram viajar para comprar os necessários presentes para a festa sofreram um acidente de avião; não houve sobreviventes.

Após esta tragédia, eles resolveram adiar a data de casamento. Inesperadamente começara a II Guerra Mundial da qual Josefel teve que participar, deixando Sara na cidade pacata que eles moravam. Cartas e cartas foram trocadas, mas depois de um tempo Sara não teve retorno e concluiu que Josefel estava morto e então resolveu levar a vida adiante e aceitou o pedido de casamento do prefeito da cidade.

Josefel sobreviveu à guerra e saudoso voltou para a cidadezinha a procura de Sara, a mulher que tanto almejou durante a guerra e que agora felizmente poderia se casar; porem como senão bastasse o incidente dos pais, Josefel se depara com Sara no colo do prefeito e sem deixar que haja explicações, ele mata os dois.

A partir deste dia, Josefel se torna uma pessoa sem sentimentos, o amor que tinha se foi com Sara, e então ele começa a aterrorizar os vizinhos e ai recebe o apelido de Zé do Caixão. Ele fica obcecado em conhecer uma outra mulher, para que possa eternizar a sua espécie que acredita ser superior, pois ele é o único que faz a justiça, mesmo que para esta seja necessário matar alguém. E assim está até os dias de hoje.

Há mais de 30 anos sem filmar, Zé do Caixão volta à ativa. Para completar sua trilogia iniciada com À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1964) e Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1967). O diretor roda agora A encarnação do Demônio. Já na pré-produção, o longa-metragem causa polêmica. A equipe do Zé do Caixão está convocando pessoas “exóticas” (leia-se ligeiramente assombrosas ou de feições monstruosas) para fazer a figuração do filme.

Nesse último filme, Zé do Caixão segue em sua busca para conceber um filho com a mulher perfeita. O roteiro foi escrito à quatro mãos por Mojica e Dennison Ramalho. A produção é de Paulo Sacramento (Amarelo Manga). Os figurinos são de Alexandre Herchcovitch.

Les Ballet Trockadero

por Bruna Lança

 

Ballet Clássico. O que esta palavra lhe traz à cabeça? Um bando de crianças vestidas de borboletinhas ou grilinhos? Aquela tortura em que você tem que assistir sua irmãzinha todo final de ano? Um bando de magrelas idênticas correndo par lá e pra cá?

 

Então aprecie toda a delicadeza da seguinte foto: (montagem)

 

 

Mas repare bem… Uhmmm. Agora sua reação pode ter variado entre: “Ah, sempre soube que era coisa de veado!” ou (…) “Nossa, como eles conseguem fazer tudo nesses trajes?”

Pois além de conseguir fazer, fazem muito bem! Se a técnica de ficar na ponta dos pés já é difícil para as mulheres, para os homens mais ainda. Como os dez bailarinos fazem questão da sátira, não se depilam propositalmente e encenam justamente a dificuldade de um deles para acompanhar os passos dos demais. O grupo Trockadero é um exemplo de como usar a criatividade em uma dança tão tradicional e lidar de forma divertida com o preconceito que ainda envolve bailarinos de todo o mundo.

VMB 2007

por Marianna Sanfelicio

            O Vídeo Music Brasil, ou VMB, como é mais conhecido pelo público, tem esse ano sua 13ª edição. O show está marcado para quinta-feira 27 de setembro, às 22 horas. O Blog VMB, porém, vai começar sua cobertura exclusiva mais cedo. Léo Madeira e Felipe Solari, VJs da MTV, estão escalados para manter o público informado desde as seis horas, além de promover debates através do site e de outros blogs da emissora. A premiação vai acontecer no Credicard Hall, e vai contar com a apresentação de Daniella Cicarelli. Os ingressos, que custam entre $80 e $500 reais, estão à venda no próprio Credicard Hall. Quem não quer gastar dinheiro, pode tentar a sorte e concorrer a uma das promoções que a MTV lançou. Ganhar os brindes, pares de ingressos para a premiação, depende mais da criatividade dos competidores que de sua sorte propriamente dita.

            Entre as atrações confirmadas para o VMB deste ano estão Sandy e Junior, Pitty, NX Zero, Lobão e o cantor norte – americano Marilyn Manson. Além dessas vai acontecer um show surpresa, que não será uma surpresa tão grande assim: algumas fontes já deixaram escapar que a banda desconhecida é a também norte – americana Julliette and the Licks, que tem como vocalista a atriz Julliette Lewis. O Julliette and the Licks vai voltar ao Brasil em outubro, quando se apresenta no TIM Festival.

                       Cicarelli no VMB 2006

            O troféu do VMB não é oficial, e muda todos os anos. Desta vez, os vencedores levarão para casa um cachorro, amarelo e com manchas, sobre o logo verde da MTV. Diferentes convidados entregarão os prêmios das dez categorias, que são Artista do Ano, Artista Internacional, Revelação, Aposta MTV, Hit do Ano, Melhor Show, Clipe do Ano, Web Hit, Banda dos Sonhos e Clipes que Você Fez. O público pode votar em seus preferidos através do site da MTV. Merece destaque a categoria Web Hit, prestes a ser premiada pela primeira vez. Concorrem cinco vídeos, e todos podem ser encontrados no YouTube: Suplicy canta Racionais, Vai Tomar no Cu, As Árvores somos Nozes, Confissões de um Emo e o Funk da Menina Pastora.

Outra novidade são os prêmios do Aquecimento, veiculados por Marcos Mion em seu novo programa, Descarga MTV. Aqui existem as categorias Gostoso do Ano, Gostosa do Ano e Pança de Mamute. O programa de Mion é satírico, ironiza as edições passadas do VMB. Para quem pretende assistir a premiação, ao vivo ou em casa, vale a pena ver alguns episódios do programa. Apesar do tom debochado, serve para preparar o espectador para o que ele pode esperar do evento de quinta-feira. Se até os VJs estão contando com a sorte e preparando amuletos para a 13ª edição do VMB, e até mesmo sua apresentadora vai usar 13 roupas diferentes durante a atração, temos que ficar preparados para qualquer coisa.

Arte em Vermelho

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por Stefanie Lourenço

      O artista plástico e efeitista Kapel Furman é um dos únicos especialistas em sua área no país. Poucos se dedicam ao entendimento da composição de uma cena violenta no cinema. Sangue e pedaços humanos fazem parte de sua rotina, sendo possível encontrá-los na geladeira de sua casa ou espalhados pela sala.

      Formado em cinema pela FAAP, desenvolveu suas habilidades durante o curso, porém afirma que ele e seu grupo de amigos tinham de se virar sozinhos: “A faculdade não gostava que a gente fizesse filmes de ação”. Sua estréia no gênero foi com o curta-metragem Winner from Hell, no qual teve seu primeiro contato com maquiagem de efeito, como buracos de tiros e sangue.

      Autodidata, afirma que aprendeu na base da tentativa e erro, mas seu conhecimento em artes plásticas, que o acompanha desde a infância, foi crucial para o crescimento na área, pois daí que tirou sua noção de composição de misturas.

      Utiliza materiais alimentícios para que não haja reação alérgica nos atores. O sangue, por exemplo, é feito com glucose, corante alimentício, acidulante e espessante, regulado de acordo com a fotografia. Os mock ups (réplicas de partes humanas) são de silicone e látex.

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      Assim que saiu da faculdade  trabalhou em um bureau gráfico de animação para a internet, quando o Flash (programa para design de sites) era a grande novidade. Realizou pelo programa A Vida de um Quadrado, que foi finalista no Anima Mundi Web 2000. Bambolê, outra animação, porém feita em um flip book e depois passada para o computador, ganhou um prêmio SICAF (Seul International Cartoon Animation Festival).

      Em 2000, quando ainda estava no bureau, foi chamado para participar da equipe do filme Bellini e a Esfinge (dir. Roberto Santucci) sem ter nenhuma experiência além dos curtas da faculdade. No longa-metragem iniciou seus efeitos de tiro com balas de festim utilizando as armas de seu avô, que é competidor de tiro ao alvo.

      Além de Bellini e a Esfinge fez, como maquiador de efeito e armeiro, filmes como Sonhos Tropicais (dir.André Strum), Amarelo Manga (dir. Cláudio Assis), O Cheiro do Ralo (dir. Heitor Dhalia), Journey to the End of the Night (dir. Erick Leason), com a participação do ator Brendan Fraser, Via Láctea (dir. Lina Chamie), Onde Andará Dulce Veiga (dir. Guilherme de Almeida Prado), Olho de Boi (dir. Hermano Pena) e o ainda não finalizado Gainsville Ripper, de John Towsend.

     Trabalhou em aproximadamente 30 curta-metragens, incluindo 4 de sua autoria: 6 tiros 60 ml, Don’t Smoke, Noturno das Almas e Haikai Hotel – Também no Três pedras (dir. Domingos Meira e Paulo Furtado), Sozinho (dir. André ZP), Amor só de Mãe (dir, Dennison Ramalho), além da série de TV Turma do Gueto (Record), da novela Metamorfoses (Record), Haru e Natsu (NHK – canal japonês) e do seriado Carandiru (TV Globo).

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      O único longa-metragem de terror que participou no Brasil, por ser o primeiro longa de terror do país nos últimos 30 anos, foi Encarnação do Demônio, de José Mojica Marins, com previsão de estréia para 2008. O filme é continuação da trilogia composta por À Meia Noite Levarei sua Alma (1964) e  Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver (1967). Encarnação mostra Zé do Caixão recém saído da prisão, onde ficou de1967 a 2008.

      No filme Kapel trabalhou todos os dias, totalizando 18 horas diárias por três meses, devido à presença constante de sangue e efeitos. Utilizou muitos mock ups, em torno de 2.500 litros de sangue, maquiagens de efeito pesadas, prótese das unhas longas do personagem principal, materiais importados que não têm no Brasil e materiais alternativos. “Desenvolvi algumas técnicas com materiais alternativos de artes plásticas, que até então não tinham sido usadas em nenhuma produção nacional”.

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      Logo após a experiência com Mojica, Kapel foi convidado para dar uma aula nas oficinas Querô, em um módulo especial de terror. O projeto consiste em ensinar práticas cinematográficas a crianças da periferia. “A receptividade dos alunos foi muito legal e me deu a chance de passar meu conhecimento a outras pessoas que tenham a mesma vontade”.

Veja mais do trabalho de Kapel Furman em seu site:

http://www.cinemadetrincheira.com.br

Trailler do filme Encarnação do Demônio:

http://www.youtube.com/watch?v=HwFvfrOgsIE

Portfólio de Kapel Furman:

http://www.youtube.com/watch?v=cU1whbcAJ-0

ENCAIXOTADO NO ESQUECIMENTO

por Estevão Bittencourt

Poucos são aqueles que, ao serem perguntados quem é José Mojica Martins, responderiam corretamente. No máximo, dizem que é o Zé do Caixão, seu personagem mais famoso. É daí que surgiu a idéia de André Barcinski e Ivan Finotti para escrever a biografia do homem por trás do personagem, que por mais que não seja conhecido como deve no Brasil, garantiu reconhecimento exteriormente. Maldito – A Vida e o Cinema de José Mojica Marins, o Zé do Caixão (Editora 34; 448 páginas) esmiúça desde o nascimento de um dos mais insólitos cineastas brasileiros.

José Mojica Martins

Logo quando era criança, já mostrava que tinha talento. Após passar a infância lendo gibis, vendo filmes no cinema em que o pai trabalhava, brincando de teatro de bonecos e montando peças com fantasias feitas de papelão e tecido, ganhou aos 12 anos uma câmera V-8 e, a partir daí, não parou mais de fazer cinema. Tornou-se autodidata e chegou até mesmo a montar uma escola de cinema em sua vizinhança. Especializou-se no terror escatológico, ou mais conhecido como terror trash e logo cedo começou a fazer filmes amadores. Foi em sua cidade natal, São Paulo, que criou em 1956 uma escola de atores e em 1964 uma sinagoga no Brás.

O que poucos sabem também é que, durante a ditadura militar, seus filmes foram vítimas de censura política, pois alegavam que traziam uma mensagem política camuflada. Basta ver um de seus filmes corretamente que é possível ver que não há nada político, apenas o mal sendo castigado no final, porém não foi assim que a censura o viu. Chegaram até mesmo a prendê-lo, assim como sua fita O Ritual dos Sádicos que chegou a ficar 20 anos presa.

Além de seus problemas com a censura, o cineasta também passava por problemas econômicos. Num país em que cineastas fizeram sua fortuna com o dinheiro público e ainda conseguem reclamar do governo, José Mojica Martins, sem contar com ajuda oficial, dirigiu mais de trinta longas-metragens. Aliás, a única coisa que o Estado Brasileiro fez por ele foi prejudicá-lo, censurando e mutilando sua obra. Apenas no ano passado, que ganhou R$ 1 milhão do Concurso Público de Apoio a Obras Cinematografias de Baixo orçamento, da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, o que o levará a criar seu filme mais caro.

Não é com o papel de mostrar que seu cinema é maravilhoso que o livro foi feito, mas que tem talento, como pode ser percebido não só nessa área, mas também em muitas outras, como televisão, rádio, literatura, revistas em quadrinhos, teatro e fotonovelas. Porém é possível prever que qualquer tipo de (re)conhecimento no Brasil só terá alguma chance após o lançamento do filme que fechará a trilogia do Zé do Caixão. Isso se não prevalecer seu lado folclórico e suas unhas grandes na cabeça das pessoas.

Memória do cinema nacional

pela editoria de cinema

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           Glauber Rocha é ainda o cineasta brasileiro mais reconhecido no exterior e sua obra corre o mundo em festivais e mostras. Foi o que aconteceu no último Festival de Veneza. Seu filme “Idade da Terra” foi resmaterizado para ser novamente apresentado. E se tratando de Glauber Rocha, já era esperado muita polêmica. 

           Rocha criou um estilo próprio, uma linguagem cinematográfica descontínua, não linear, que expressa sua visão da história brasileira. Também rejeitou a estrutura simétrica do cinema americano de Hollywood, que considerava colonizador e alienante. Produziu desde longas como “Terra em Transe”, “Deus e o Diabo na Terra do Sol” até curtas-metragens como “Amazonas, amazonas”, politizando a linguagem do cinema brasileiro conhecido como Cinema Novo.

           Em 2003, Silvio Tendler estreou um documentário sobre o cineasta. Foram 21 anos de espera para o lançamento do “Glauber – O Filme, Labirinto do Brasil”, qualificado pelo próprio diretor como um “filme-funeral”.

            Sobre o cineasta, foi relançado também o ensaio “Sertão Mar: Glauber Rocha e a estética da fome”, originalmente publicado em 1983, pelo professor Ismael Xavier. O livro propõe uma análise histórica e teórica de filmes do cinema novo. Acontece também no Itaú Cultural a exposição Imagem da Imagem da cineasta, fotógrafa e artista visual Paula Gaitán. A mostra exibe pela primeira vez um acervo de momentos pessoais da expositora que viveu com  Glauber na cidade portuguesa de Sintra.

 

   

Jesu e a arte da abstração

por Bruno Araujo

Vindo diretamente de Birmingham, Inglaterra, o Godflesh teve um papel muito importante no cenário musical contemporâneo, introduzindo aos ouvintes um híbrido entre o industrial, o metal e o sludge, influenciando artistas como Ministry e Fear Factory. O término do Godflesh em 2002 não selou o fim da carreira musical de Justin Broadrick, principal mente criadora do grupo. Munido do nome Jesu, última faixa do trabalho final do Godflesh, Hymns, Justin começou seu novo projeto com a gravação do EP Heart Ache, em 2004. Este álbum deu início à uma das mais expansivas paisagens sonoras, o Jesu, que mistura desde elementos do Doom Metal ao Shoegaze.

Jesu

Justin Broadrick e Diarmuid Dalton

A música
O som do Jesu consiste basicamente na vagarosa superposição de diversas camadas levadas por uma batida lenta e melancólica. Com o uso de guitarra, baixo, bateria e variados efeitos eletrônicos, a música se constrói através do milimétrico encaixe destes instrumentos, arrastando-se precisamente por cada segundo das composições. O Jesu definitivamente não é uma banda para impacientes. Obtendo parte de suas influências de música ambiente, ele exige dedicação e uma prévia preparação, com cada canção batendo, no mínimo, a casa dos 6 minutos. Não é possível depurar toda a mensagem da banda em uma só ouvida aos álbuns. A presença da voz de Justin enaltece o processo de abstração a qual o ouvinte é levado, com melodias taciturnas e letras de reflexão.

A evolução
No princípio do projeto as músicas possuíam uma carga muito mais densa e texturizada do que nos lançamentos mais recentes. O LP auto-entitulado Jesu, de 2005, apresenta esta forma de composição. A partir do terceiro álbum, Silver EP, de 2006, o estilo musical se aproxima muito mais do Shoegaze, sendo o Jesu até comparado com os consagradores do gênero, o My Bloody Valentine.

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Capa de Conqueror, álbum de estúdio mais recente do Jesu

Not for the faint of heart
A música do Jesu com certeza não é acessível para a maioria das pessoas. Toda essa carga emotiva e muitas vezes excessivamente longa para a normalidade musical contemporânea, contribuem para um possível afastamento precipitado da banda, o que pode ser considerado um erro gravíssimo. Para aqueles que procuram música para relaxar, se desligar do cotidiano e preservar alguma forma mundana de emancipação (paradoxo!), eis aqui a solução. A qualidade das composições de Justin e de seus colaboradores supera a normalidade, levando seu ouvinte a um instantâneo momento de epifania.

Site Oficial: http://www.avalancheinc.co.uk/jesu.html
Wiki: http://en.wikipedia.org/wiki/Jesu_%28band%29
Download dos álbuns: http://skhrnykhsk.blogspot.com/search/label/Jesu


Walk on Water, do LP Jesu, de 2005

A São Paulo que apenas as fotos de B.J. Duarte conhecem

por Bruno Huberman

“No meu tempo não era assim…”. Quem nunca escutou uma saudosa vó ou bisavó dizer isso? Ou aquela fábula de que era possível nadar no rio Pinheiros. Tudo que faz parte do nosso stress contemporâneo – trânsito, poluição, multidão, violência – não existia e São Paulo evoluía para se tornar uma potência mundial cercada pelos modernistas da Semana de Arte Moderna de 1922, entre eles o escritor Mário de Andrade.

Esse mesmo Mário de Andrade, desde 1935 na função de chefe do Departamento de Cultura de São Paulo, fez com que o modernismo que assolava a cidade chegasse à fotografia. Ou seria melhor dizer que o desconhecido fotógrafo B.J. Duarte, contratado por Mário de Andrade, fez com que a fotografia chegasse ao nível de excelência que os magníficos modernistas haviam alcançado na literatura 12 anos antes?

 

 

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O escritor Mário de Andrade, 1937

Desde o dia 27 de agosto o paulistano pode dirigir-se até o coração da sua cidade na Galeria Olido (Av. São João, 473) e conferir a modernização que estava ocorrendo na cidade durante o governo de Prestes Maia (1937-45) segundo as lentes de B.J. Duarte. Junto das 65 imagens que compõe a exposição está sendo lançado o livro “B.J. Duarte: caçador de imagens” (Cosac Naify), que, além de grande parte da obra do fotógrafo, conta com uma entrevista dada em 1986 e textos de diferentes autores narrando a trajetória do artista – desde a sua formação técnica na França até o seu trabalho como fotojornalista.

A exposição

Nas fotos em preto-e-branco que formam a exposição é possível perceber que Duarte não se prende a uma linha de pensamento para mirar a sua máquina fotográfica. Ele está sempre buscando mostrar a diversidade que São Paulo tem como característica desde a década de 30. Seja nas suas pessoas ou em suas construções.

As imagens também revelam fatos curiosos que até nossas avós não devem se recordar: carros estacionados na Praça da Sé enquanto a sua catedral ainda está sendo erguida e uma calma Av. Rebouças cercada por árvores e sobrados.

Uma das fotos que mais chama atenção não teria causado tanto impacto a alguns meses atrás: calmos e tranqüilos, os passageiros embarcam num avião no meio da pista do mais calmo ainda Aeroporto de Congonhas.

image002.jpg Crianças brincando no Parque d. Pedro II, no Brás, em 1937

São Paulo não é mais a mesma faz tempo como é possível constatar nas fotos de J.B. Duarte. Ela está em uma constante e interminável mutação que logo resulta em “uma cidade fantasma e perdida em bruma, apenas reconhecível nas dimensões dessas fotos envelhecidas, mudas e inertes”, como o próprio J.B. diz. Por isso vale a pena conferir como ela costumava ser.

Para mais fotos, clique aqui.

 

 

 

A revolução da Web 2.0

Por Fernanda Nascimento  

Hoje identificamos a formação da chamada mídia social, um novo conceito de comunicação que cada vez mais desenvolve ferramentas para as pessoas não apenas se comunicarem umas com as outras, mas formarem comunidades. Dessa forma o indivíduo pode compartilhar com a rede através de blogs, por exemplo, tornando-se veículo de comunicação. A chamada mídia social criou novos conceitos como a comunicação wiki. O conceito foi criado por Ward Cunningham visando o desenvolvimento de sites com conteúdos gerados pelos próprios usuários. O wiki é um dos elementos da chamada web 2.0, que representa uma nova forma de produção de conteúdo, através do compartilhamento de informações, vídeos, fotos, blogs, etc.

Hoje vivemos um fenômeno chamado de Long Tail (cauda longa). O termo, criado por um jornalista americano, traduz a nova realidade digital, caracterizada pelo crescimento do espaço daqueles que estão longe de ser parte das grandes corporações. Deste modo, uma banda desconhecida pode divulgar seu vídeo no YouTube, ser assistida por milhares de usuários e procurada por uma gravadora. Um número muito grande de artistas ganharam notoriedade nos últimos tempos postando vídeos divulgando seu trabalho. Esses representam uma maioria que fica na ponta da cauda e antes não tinha espaço para se impor diante do mercado, mas agora conquistam reconhecimento através da mídia social. Criou-se a comunicação viral, feito típico e exclusivo da Internet.

Os blogs representam uma mudança radical na comunicação. Hugh Hewitt, autor da publicação Blog- Entenda a revolução que vai mudar seu mundo, ilustrou essa mudança como tão importante quanto a imprensa criada por Gutenberg. Hoje existem mais de 66 milhões de blogs e eles vêm ganhando espaço na nova mídia e, o que é mais importante, credibilidade. Eles passaram a interferir não só da vida do indivíduo como também nas empresas, nas comunidades e nas organizações, pois estimulam a coletivização a partir da autonomia e acompanham o ritmo da Internet, que se transforma em uma velocidade extraordinária.

Até então nenhum autor tinha analisado profundamente o universo da Web 2.0. Na última segunda, dia 10, os espanhóis Hugo Pardo e Cristóbal Codo lançaram o livro Planeta Web 2.0: inteligencia colectiva ou medios fast food. A publicação é uma reflexão não sobre os rumos que essa era vai tomar, mas sobre o que ela é de fato. Os autores questionam: “vivemos em uma fase determinante e criativa da inteligência coletiva, ou simplesmente se trata de um cenário de meios fast food, de consumo rápido e de caráter amador e de baixa qualidade, em rápida transição em direção a uma nova etapa evolutiva?”.

O livro só está disponível em espanhol e é um e-book, o que significa que ele pode ser baixado na Internet livremente. Nada mais esperado. Os autores também mantém um blog, que é atualizado freqüentemente.

Não sei dizer se o livro responde alguma dúvida sobre esse universo tão complexo. Mas vale a pena tentar entender um pouco do fenômeno que veio para revolucionar os meios de comunicação.

O avô dos festivais cinematográficos

 

 

Por Julio Pindanga

Acabou no dia 8 de setembro o 64º Festival de Cinema de Veneza. O evento, que festeja 75 anos, exibiu filmes de diretores consagrados como Woody Allen, Brian de Palma e Ang Lee. O filme “Lust, Caution” (“Desejo, Cautela” em tradução literal), dirigido por Lee, foi o vencedor do Leão de Ouro deste ano. Vale ressaltar que este foi o 2º Leão de Ouro conquistado pelo diretor taiwanês (o primeiro foi conquistado com o polêmico “O Segredo de Brokeback Mountain” em 2005).

 

A história de “Lust, Caution” se passa em Xangai, durante a ocupação japonesa, na Segunda Guerra Mundial. È um belo e forte drama de espionagem, política e sexo. O filme narra uma difícil história de amor entre a jovem estudante chinesa Wang Hui Ling (a estreante Tang Wei) e um alto funcionário chinês que colabora com o governo japonês e a quem a encarregam de assassinar. As longas cenas de sexo explícito do filme fazem com que esta seja uma das produções que mais causaram escândalo em toda a história do festival, assim como suas narrativas poéticas causaram admiração por volta de toda a crítica e público.

 

Já o veterano diretor americano Brian De Palma conquistou o Leão de Prata por seu filme “Redacted”, que relata e crítica a guerra do Iraque, baseado num incidente da Guerra do Iraque em que soldados americanos de um posto de controle estupraram uma garota de 14 anos, massacraram sua família, atiraram no rosto dela e incendiaram seu corpo. Utilizando-se de material que circula pela internet para compor seu filme, De Palma faz uma crítica profunda aos meios de comunicação, alegando que a informação sobre os incidentes no Iraque são manipulados e omitidos.

 

Veneza foi a cidade aonde nasceu a idéia de se promover uma mostra de arte cinematográfica. O primeiro festival de filmes do mundo teve sua abertura há exatamente 75 anos, com “Dr Jekyll e Mr. Hyde”, de Rouben Mamoulian. A exibição se deu ao ar livre, no terraço do recém-construído Hotel Excelsior, na ilha balneária Lido. Durante o fascismo italiano o festival foi um evento fechado para as Potências do Eixo e só foi reaberto em 1947. Foi nesse ano que se criou o prêmio “Leone d’Oro” (Leão de Ouro, em português), uma referência ao leão alado, símbolo da cidade. Desde então, o prêmio é um dos mais cobiçados do mundo do cinema, ao lado do Oscar e da Palma de Ouro de Cannes.

 

O festival, hoje, é um dos grandes eventos da indústria cinematográfica e ao longo dos anos manteve-se intacto e é um ícone para a história do cinema. Veneza sempre foi palco para que novos diretores pudessem mostrar seus trabalhos e serem reconhecidos. Akira Kurosawa, Ingmar Bergman e os mestres italianos Luchino Visconti, Michelangelo Antonioni e Federico Fellini também festejaram seus grandes sucessos no festival.

 

Segue abaixo lista com as principais premiações:

 

- Leão de Ouro (melhor filme): “Se, Jie” (Lust, Caution), do diretor taiuanês Ang Lee.

- Leão de Prata (melhor direção): Brian de Palma, por “Redacted”.

- Prêmio Especial do Júri: “La Graine et le Mulet”, do diretor francês Abdellatif Kechiche, e “I’m not There”, do americano Todd Haynes.

- Melhor Ator: Brad Pitt, por “The Assasination of Jessy James by the Coward Robert Ford”, do diretor americano Andrew Dominik.

- Melhor Atriz: australiana Cate Blanchett, por “I’m not There”.

- Prêmio Marcello Mastroianni (ator/atriz revelação): francesa Hafsia Herzi por “La Graine et le Mulet”.

- Prêmio Leão de Ouro Especial pelo Conjunto da Obra: cineasta russo Nikita Mikhailov.

- Melhor Roteiro: britânico Paul Laverty por “It’s a Free World”, do diretor Ken Loach, também britânico.

- Melhor fotografia: mexicano Rodrigo Prieto por “Se, Jie”.

- Melhor Estréia: “La Zona”, do uruguaio-mexicano Rodrigo Plá.

- Leão de Prata de Melhor Curta: “Dog Altogether”, do britânico Paddy Considine.

- Menção Especial em curta-metragens: “Liudi iz Kamnya”, do russo Leonid Rybakov.

- Mostra Horizonte (“novas tendências”) – Melhor filme: “Sügisball” (“Autumn Ball”), do estoniano Veiko Õunpuu.

- Melhor documentário: “Wuyong” (“Useless”), do chinês Jia Zhangke.

 

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